Alimentação e testosterona: entenda o que diz a nova pirâmide alimentar dos EUA
Guia para a alimentação dos norte-americanos é criticado por falta de embasamento científico sobre a influência da comida nos níveis do hormônio
A nova pirâmide alimentar do governo Trump deu o que falar quando foi liberada no início de janeiro.
Discussões sobre a recomendação de proteínas (a maior na história das orientações dietéticas), de lácteos integrais e de gordura saturada se espalharam entre especialistas e nas redes sociais.
Mas isso tudo foi baseado apenas no resumo de 10 páginas da diretriz. No documento completo, que detalha todos os “fundamentos científicos” da recomendação e conta com 90 páginas, mais uma novidade: uma seção dedicada a manutenção de níveis saudáveis de testosterona em homens.
Sim, é uma recomendação sobre como a alimentação pode interferir na quantidade desse hormônio.
O documento afirma que dietas rigorosas com baixo teor de gordura podem prejudicar os níveis de testosterona, e também sugere que a suplementação com óleo de peixe rico em DHA pode apoiar a produção do hormônio sexual masculino em pessoas que estão em tratamento de obesidade.
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Mas o que diz a ciência? A seguir, explicamos melhor essa história.
A alimentação interfere nos níveis de testosterona?
“As evidências sobre isso, sejam de revisão sistemática ou meta-análise, são consideradas de fraca qualidade“, esclarece o médico endocrinologista Alexandre Hohl, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
Hohl explica que a recomendação contra dietas baixas em gordura parte de uma teoria com plausibilidade biológica, já que a molécula da testosterona, assim como a do estradiol e da progesterona, derivam do colesterol, que é de base gordurosa.
“Teoricamente, dietas muito baixa em gorduras poderiam reduzir a disponibilidade desses precursores lipídicos, mas na prática esse impacto não se enxerga“, crava o especialista. “Talvez em pessoas que passem fome isso possa acontecer, mas só pela dieta habitual é bem improvável”, pondera.
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Sobre a suplementação de DHA, que é um tipo de ômega-3 também não há consistência nos dados.
“Trata-se de uma evidência ainda emergente, baseada em poucos estudos clínicos, que apontam uma possível associação, mas não estabelecem uma relação de causa e efeito definitiva“, aponta a nutricionista Caroline Romeiro, gerente técnica do Conselho Federal de Nutrição.
Ela complementa afirmando que, na prática, a principal via nutricional para favorecer níveis adequados de testosterona não é a suplementação isolada, mas a melhora global do estado de saúde metabólica.
“É importante deixar claro que a alimentação tem papel de suporte ao equilíbrio hormonal, mas não substitui avaliação clínica quando há suspeita de deficiência de testosterona”, ressalta a nutricionista. “Não existe alimento nem suplemento mágico“, reforça Hohl.
No fim, a forma mais consistente de promover níveis adequados de testosterona ao longo da vida é com o básico: manter uma alimentação equilibrada, associada a um estilo de vida saudável.







