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Cerco está se fechando contra refrigerantes e bebidas açucaradas

Teto que limitava imposto seletivo sobre a categoria foi vetado em votação sobre a reforma tributária

Por Layla Shasta
19 dez 2025, 08h28 • Atualizado em 19 dez 2025, 08h33
Deputados na sessão do Plenário desta terça-feira (16)
Deputados na sessão do Plenário desta terça-feira (16). (Agência Câmara de Notícias/Reprodução)
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  • A Câmara dos Deputados conclui nesta semana as votações para o projeto de lei que regulamenta a reforma tributária no Brasil. Entre as discussões, um dos pontos mais acirrados foi a retirada de um destaque sobre refrigerantes e bebidas açucaradas do texto. A proposta rejeitatada instituía o teto de 2% para o Imposto Seletivo (IS) sobre esse tipo de alimento.

    Conhecido como “imposto do pecado”, o IS incide como um valor adicional sobre o total dos tributos pagos pela Indústria. O objetivo é desestimular o consumo de produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente

    A proposta que visava manter um limite nessa tributação foi derrubada por 242 votos a 221. Hoje, o Imposto Seletivo já é aplicado, por exemplo, a cigarros e bebidas alcoólicas. Após a aprovação na Câmara, o projeto segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Além disso, o texto aprovado trouxe benefício para outro segmento. Bebidas vegetais à base de cereais, frutas, leguminosas, oleaginosas e tubérculos terão redução de 60% nas alíquotas dos novos tributos.

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    O aumento dos impostos para empresas que fabricam alimentos ultraprocessados, grupo que inclui os refrigerantes, é um pedido antigo de entidades da área da saúde. 

    Para Marcello Baird, coordenador de Advocacy da ATC Promoção da Saúde, a decisão da Câmara representa uma importante conquista. “Sem dúvida, houve uma vitória da saúde pública sobre o lucro”, comemorou. 

    De acordo com estudos publicados na revista The Lancet, os ultraprocessados estão associados a, pelo menos, 12 desfechos de saúde importantes, como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol alto, doenças cardiovasculares.

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    Segundo o advogado, o  teto que limitava em 2% a alíquota do imposto seletivo sobre bebidas açucaradas tornava “sem sentido” a existência de um tributo que tem como objetivo desestimular o consumo de um produto que, anualmente, diz o especialista, causa 13 mil mortes e custa R$ 3 bilhões ao Sistema Único de Saúde (SUS).

    Apesar disso, ele alerta para limitações que permanecem vigentes na reforma tributária. “Não podemos esquecer que a indústria de refrigerantes já recebe benefícios fiscais bilionários na Zona Franca de Manaus e um estudo que saiu na semana passada revelou que esses benefícios estão sendo aumentados em R$ 800 milhões com a reforma tributária”, comenta.

    A Zona Franca de Manaus (ZFM) é um polo industrial, comercial e agropecuário estratégico na Amazônia, criado pelo governo brasileiro. Entre os os seus principais benefícios, estão incentivos fiscais para as empresas instaladas na região, que incluem isenções e reduções em impostos.

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    +Leia também: “A causa básica da pandemia de obesidade são as corporações de ultraprocessados”

    Entenda

    A votação fez parte da segunda etapa de regulamentação da reforma tributária. Na ocasião, os deputados analisaram destaques do Projeto de Lei Complementar 108/24, que trata da gestão e da fiscalização do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e também da incidência do  imposto sobre heranças e doações.

    O limite de 2% para bebidas açucaradas havia sido incluído pelo Senado, mas foi retirado no texto-base aprovado pela Câmara, seguindo o parecer do relator, deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE).

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    A reforma tributária muda o modelo de cobrança de impostos sobre o consumo no Brasil. Com ela, cinco tributos serão extintos: PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS.

    No lugar deles, será criado o chamado IVA Dual. Ele será composto pelo IBS, de estados e municípios, e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de âmbito federal. O IBS e a CBS devem começar a ser testados em 2026. A adoção plena está prevista para 2027.

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