Óleo de bagaço de oliva: opção mais barata que azeite é saudável?
Extraído da polpa que resta do processamento do fruto da oliveira, óleo tem qualidade menor e não pode ser considerado substituto

A alta nos preços de comidas e bebidas leva a indústria a investir em alimentos similares aos “originais”, mas com valores mais em conta. O óleo de bagaço de oliva existe no mercado desde o século passado, mas recentemente passou a chamar atenção nas prateleiras.
O azeite de oliva, que costuma chegar ao Brasil importado de países como Portugal e Espanha, chegou a preços recorde nos últimos anos depois de uma seca atingir a Europa. Nesse cenário, o óleo de bagaço de oliva ganhou destaque como substituto.
Se antes ele custava um valor similar ao do óleo de soja, hoje é encontrado a preços mais próximos ao do azeite.
Mas os produtos, assim como suas propriedades, não são os mesmos, e o óleo de bagaço sequer pode ser chamado de azeite. Aprenda a diferenciar as alternativas e a escolher a melhor para sua saúde e seu bolso.
Como é feito o óleo de bagaço de oliva?
O azeite de oliva é extraído da polpa das azeitonas, frutos da oliveira. A variedade do azeite é influenciada pelo tipo de azeitona utilizada no preparo.
Depois da colheita, as azeitonas passam por um processo de seleção, para descartar folhas, bichos ou outros intrusos. Na máquina, as frutas são lavadas e trituradas.
Para o azeite de oliva, o processo termina por aqui, com uma centrifugação para separar o óleo das frutas trituradas e da água. Aí, o produto é encaminhado para testes de qualidade.
Já o óleo do bagaço de azeitona é extraído da massa que resulta desse processamento inicial. Um solvente é adicionado à pasta úmida de azeitonas que sobrou da primeira prensagem.
A mistura de óleo e solvente então é aquecida, para que o solvente evapore. O que fica é um óleo de bagaço de azeitona bruto, que não pode ser consumido. Somente após um refino que inclui decantação, centrifugação, filtragem e desidratação é que o produto pode ser comercializado.
+Leia também: 5 óleos para substituir o azeite de oliva, que está caro
Qual a diferença entre o óleo de bagaço e o azeite de oliva?
De acordo com o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento brasileiro, só é considerado azeite de oliva aquele produto obtido unicamente do fruto da oliveira. Outros óleos não podem estar presentes, e o processo para obtenção do azeite não pode incluir uso de solventes.
Além das diferenças na fabricação, essa opção mais barata costuma ser vendida misturada a outros tipos de óleo, como o de soja.
Os benefícios do óleo de bagaço também são menores, já que a maior parte das substâncias que tornam o azeite de oliva saudável – como os compostos fenólicos – são extraídos na primeira prensagem.
Mas a opção mais barata pode, sim, ser considerada uma alternativa saudável para preparos culinários. Ao compará-lo com o óleo de girassol, um estudo demonstrou que o óleo de bagaço foi capaz de reduzir significativamente o nível de colesterol LDL.
O perigo está no óleo de bagaço de oliva irregular, resultado de uma produção inadequada. Durante o aquecimento do óleo, a temperatura não deve ultrapassar um limite, acima do qual subprodutos como o benzopireno, que são cancerígenos, podem surgir.
+Leia também: 5 óleos para substituir o azeite de oliva, que está caro
Como diferenciar os produtos
Na hora de fazer as compras, você precisa ficar de olho no rótulo. A embalagem deve trazer o termo “azeite de oliva” ou “óleo de bagaço de azeitona”. Tome cuidado para não confundir, já que muitas opções de óleo de bagaço são incorretamente chamadas de “azeite de bagaço”.
Outra dica é ler a lista de ingredientes. Se o primeiro item que aparece é óleo de soja, saiba que aquele produto é uma mistura. Os ingredientes aparecem em ordem decrescente de acordo com a quantidade, ou seja: nesse caso, há mais óleo de soja do que óleo de bagaço.
Essas mercadorias também são rotuladas como “óleo composto de soja e oliva”, por exemplo.