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Uma semente de esperança contra o Alzheimer

Após anos de más notícias, alguns remédios começam a mostrar bons resultados na corrida por um tratamento eficaz contra a doença

Por André Biernath
7 dez 2015, 13h33 • Atualizado em 28 out 2016, 06h07
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  • Os números assustam: uma em cada 14 pessoas com mais de 65 anos tem Alzheimer. São quase 44 milhões de indivíduos com o mal que arruína a memória e outras funções cognitivas no mundo, 1,2 milhão deles só no Brasil. E as projeções esboçam um crescimento exponencial: em 2030, 75 milhões serão afetados pela doença, quantidade que deve pular para 135 milhões em 2050. Há uma explicação clara para essa guinada contínua. “O envelhecimento é o principal fator de risco, e o aumento da expectativa de vida fará com que esse contingente só cresça”, diz o geriatra Paulo Camiz, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

    Felizmente, porém, sementes de esperança terapêutica, plantadas há algum tempo, estão brotando com mais intensidade neste ano. Na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer, recém-realizada nos Estados Unidos, foram apresentados os resultados de uma medicação, o solanezumabe, da farmacêutica Eli Lilly. Em um primeiro estudo, os cientistas notaram que as injeções mensais falharam na tentativa de estancar o avanço da degeneração. Porém, quando analisaram os dados de perto, observaram que uma porção de voluntários com um grau de Alzheimer exibiu certa melhora.

    Os especialistas partiram, então, para uma segunda pesquisa, com foco nesses sujeitos com estágio leve. Ao final do estudo, os pesquisadores detectaram uma redução nos agregados de beta-amiloide, substrato que se acumula na massa cinzenta e provoca a morte dos neurônios. E ainda viram que esse efeito estava ligado a melhores índices nas avaliações de cognição, especialmente entre os sujeitos com antecedência. A velocidade de progressão do comprometimento cognitivo caiu em até 30% nessa turma.

    Apesar de promissores, os achados com a nova medicação pedem ponderações. “A expectativa é alta, mas precisamos de mais estudos para cravar que o fármaco é, de fato, efetivo”, afirma a neurologista Márcia Chaves, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. No momento, a Eli Lilly conduz uma pesquisa com 2 100 pessoas que deverá apresentar conclusões mais robustas sobre o solanezumabe. A previsão é que os dados venham a público até o final de 2016.

     

    O que já está na farmácia

    Inibidores de acetilcolinesterase: em formato de adesivo ou comprimido, são receitados para quadros leves e moderados. Impedem a degradação da acetilcolina, neurotransmissor que tem função primordial na memória. Trazem ganhos nos sintomas, só que o efeito é temporário.

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    Memantina: combate o glutamato, outra substância da química cerebral que, aos borbotões, prejudica o funcionamento da massa cinzenta. A droga é prescrita nos casos moderados e graves, mas melhora só um pouco a cognição.

     

    Promessas para o futuro

    Anticorpo monoclonal: injeções como o solanezumabe e o aducanumabe varreriam a beta-amiloides. Há moléculas que bloqueiam sua fabricação, por exemplo.

    Medicações contra a TAU: a aposta, mais inicial, é promover uma limpeza no excesso de outra proteína, a TAU, que também leva à deterioração das células nervosas.

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