🔥 Mês do Cliente: Assine o Digital por R$ 9,90/mês e tenha conteúdo exclusivo na palma da sua mão!
Imagem Blog

Com a Palavra

Por Blog Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

Gravidez não planejada, um problema de saúde pública

O uso equivocado de métodos anticoncepcionais e a falta de planejamento público culminam em problemas que vão além do imaginado, como mostra uma expert

Por Dra Carolina Sales, ginecologista* 8 Maio 2018, 09h57 | Atualizado em 3 jul 2026, 22h08
Como evitar gravidez com anticoncepcionais
A gravidez não planejada é um problema muito maior do que se imagina (Ilustração: Eva Uviedo/SAÚDE é Vital)
Continua após publicidade
Gravidez não planejada, um problema de saúde pública Priorizar nos meus resultados Google

No Brasil, estima-se que, de cada dez mulheres que não desejam engravidar, oito estão em uso de algum método anticoncepcional. Isso mostra uma boa cobertura nas táticas de contracepção. Era de se esperar, portanto, que teríamos um baixo número de gestações não planejadas. Por incrível que pareça, não é isso que acontece: mais da metade dos nascimentos no país não foi programada. Como explicar tamanho paradoxo?

Vamos lá: gestações não planejadas têm múltiplas causas, como a qualidade da educação e a falta de metas dos governos em saúde reprodutiva. Mas por que a grande abrangência dos métodos anticoncepcionais não minimiza esse fenômeno?

Isso está relacionado à pequena quantidade de mulheres que usam métodos altamente eficazes e que não dependem da memória da usuária. Refiro-me aos DIUs e ao implante hormonal. Essas opções, cujo índice de falhas é igual ou menor que o do procedimento de laqueadura, são usadas por menos de 2% das brasileiras.

Por aqui, os campeões são a pílula e o preservativo, métodos mais sujeitos ao uso incorreto — não há como garantir a eficácia da pílula em caso de esquecimento ou má adesão. Não à toa, ela e a camisinha apresentam cerca de 20 vezes mais falhas que os DIUs e implantes.

Continua após a publicidade

De acordo com a pesquisa Nascer no Brasil: Inquérito Nacional Sobre Parto e Nascimento, 55,4% das mulheres não planejaram sua última gestação. Os grupos em que isso mais ocorre são os das adolescentes, usuárias de drogas e portadoras de doenças crônicas. Esse dado reforça a necessidade de criar estratégias diferenciadas para esses segmentos da população.

A ausência de planejamento faz com que boa parte dessas mulheres não se cuide da melhor forma durante a gravidez, aumentando os riscos para elas (depressão pós-parto, aborto ilegal, violência doméstica…) e para os bebês (parto prematuro, baixo peso ao nascer, menor tempo de amamentação…).

Continua após a publicidade

Sem falar nos prejuízos econômicos: calcula-se que o Brasil gaste 4,1 bilhões de reais por ano com gestações não planejadas. Por essas e outras, esse fenômeno perpetua o ciclo de pobreza, especialmente entre adolescentes, uma vez que só 25% das jovens que engravidam continuam estudando.

Continua após a publicidade

Educar a população e viabilizar o acesso aos melhores meios contraceptivos são formas de garantir às brasileiras o direito de decidir sobre o melhor momento de ter um filho. E, ao assegurar esse direito, poderemos diminuir as desigualdades entre homens e mulheres, resguardar a saúde delas e construir uma sociedade mais próspera.

*Carolina Sales é médica, professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e chefe do Setor de Anticoncepção da instituição

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo uma página de notícias com imagens de produtos e um ícone de árvore verde ao ladoMão segurando um smartphone branco com a tela exibindo um aplicativo de notícias, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

Sua saúde merece prioridade!
Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).