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Covid aumenta risco de desenvolver diabetes ou de descontrole da doença?

O coronavírus pode mexer com os níveis de açúcar no sangue por diferentes vias - daí a necessidade intensificar a prevenção e o tratamento contra o diabetes

Por Fabiana Schiavon
12 Maio 2022, 12h49 •
diabetes pós-covid
Mesmo sem ter conhecimento disso, quem tem propensão a desenvolver diabetes pode ter a doença desencadeada pela infecção do coronavírus (Foto: Towfiqu barbhuiya/Unsplash/Divulgação)
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  • Como já se sabe que a Covid-19 pode afetar a glicemia, sempre surgem dúvidas se ela aumentaria o risco de desenvolver diabetes ou de agravar o quadro de pacientes que já diagnosticados com essa doença.

    A verdade é que estudos sobre a relação entre as duas enfermidades ainda estão em andamento, então há um grau de incerteza envolvendo o assunto. Mas, para entender melhor esse elo, falamos com o endocrinologista Augusto Santomauro, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

    Primeiro recado: as vacinas contra o coronavírus não têm relação com o diabetes. Por outro lado, a Covid-19 em si é considerada uma doença sistêmica, que afeta diferentes órgãos do corpo – não só o trato respiratório.

    E o pâncreas também pode ser atacado durante a infecção. Para quem não sabe, essa estrutura tem, entre suas principais funções, a produção de insulina, um hormônio que ajuda a tirar a glicose de circulação. Logo, é possível que a agressão direta do vírus aumente a glicemia por prejudicar a fabricação de insulina.

    Além disso, pesquisadores ingleses entendem ser possível que “a inflamação causada pelo coronavírus cause no corpo uma resistência à insulina, característica do diabetes tipo 2”. Nesse contexto, não é a falta de hormônio o problema, e sim seu funcionamento que fica prejudicado.

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    Isso não significa que toda vítima do coronavírus terá diabetes. “Segundos estudos sobre o assunto, podem desenvolver diabetes pós-Covid algumas pessoas que já têm propensão para desenvolvê-la”, explica Santomauro.

    Essa tendência pode ser genética – quando há histórico da doença na família – ou por hábitos de vida. Uma pessoa com alimentação rica em gordura e açúcar e rotina sedentária, por exemplo, entra na lista.

    + LEIA TAMBÉM: O que é diabetes tipo 2: causas, sintomas, tratamentos e prevenção

    Casos leves de Covid podem disparar o diabetes?

    Um estudo recente publicado na revista Nature sugere que, em alguns episódios, sim. Mas a presença do diabetes foi mais comum em quem já tinha tendência de apresentar excesso de glicose no sangue.

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    Na opinião de Santomauro, são os pacientes que tiveram Covid grave que merecem um olhar mais atento. “Se o indivíduo precisou ficar internado e recebeu oxigênio e medicação, é especialmente importante monitorar o açúcar no sangue”, esclarece o médico.

    Essa avaliação pode ser feita com os métodos tradicionais que avaliam a glicemia. Saiba mais aqui.

    E as crianças?

    Ainda há dúvidas se o público infantil corre o mesmo risco de sofrer com diabetes após a infecção. Um levantamento do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA indicou que menores de 18 anos infectados pelo coronavírus teriam uma probabilidade adicional de desenvolvê-lo. Mas…

    “Como o número de crianças que tiveram a forma grave da Covid é pequeno, não se sabe quais fatores explicariam esse fenômeno”, contrapõe Santomauro.

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    O jeito é ficar de olho, mas sem paranoia.

    Uma reação adversa dos corticoides contra o coronavírus

    Os corticoides se mostraram eficazes no controle de casos graves de Covid. Eles reduziram o número de óbitos, o tempo necessário no respirador e os dias de internação. “Mas esse tipo de remédio tem como efeito colateral possível a hiperglicemia”, aponta o médico. Ou seja, o próprio tratamento da doença favoreceria o diabetes.

    + LEIA TAMBÉM:Diabetes em transformação: o que está mudando no tratamento

    Pessoas com diabetes que pegam Covid podem ver a glicemia piorar?

    Um aviso inicial sobre o tema: pacientes com diabetes tem uma probabilidade maior de desenvolver a forma grave da Covid. “Estudos comprovam que indivíduos com glicemia acima de 180 tiveram a pior evolução por Covid. Por isso insistimos em manter esse índice o mais controlado possível”, relata o endocrinologista.

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    Como se fosse pouco, essa turma ainda corre o risco de ver as próprias taxas de açúcar no sangue dispararem após a infecção pelo Sars-CoV-2. Explica-se: a tempestade inflamatória que às vezes é deflagrada pelo coronavírus não raro desregula a concentração de glicose no organismo. “Quem tem diabetes já convive com inflamações no corpo. A Covid intensifica o processo”, afirma Santomauro.

    + LEIA TAMBÉM: Quem são os indivíduos imunocomprometidos? Só Covid preocupa?

    Se ainda houver a necessidade de tomar corticoides, o risco de o diabetes se descontrolar sobe. Daí porque médicos comumente usam mais medicações para o controle da glicemia nesses casos. Conclusão: quando diabetes e Covid-19 se encontram, é imprescindível aumentar o monitoramento e seguir as recomendações médicas à risca.

    O sistema de saúde britânico até criou um documento sobre como lidar com infectados pelo coronavírus que possuem diabetes. As primeiras medidas são de prevenção: tomar as doses recomendadas da vacina, usar máscara sempre que possível, evitar contato com pessoas doentes e manter a glicoseo mais controlada possível.

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