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Endometriose além da cólica: cansaço é sintoma relevante da doença

A fadiga crônica acomete mais da metade das mulheres com endometriose. Só que, muitas vezes, o sintoma é confundido como indício de depressão

Por Ricardo Pereira, cirurgião ginecológico* 7 mar 2022, 10h58 | Atualizado em 4 jun 2026, 23h25
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Cansaço é um sintoma relevante da endometriose. (Foto: Kinga Cichewicz/Unsplash/Divulgação)
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Cólica, falta de energia e desânimo fazem parte da rotina de muitas mulheres no período menstrual. Elas sentem como se algo tivesse sugado suas forças.

Esses são efeitos negativos da endometriose – e, nos últimos anos, temos observado um crescente interesse neles.

O que é a endometriose

Trata-se de uma doença ginecológica na qual o tecido que reveste internamente o útero, chamado endométrio, cresce fora da cavidade uterina – geralmente ao redor de órgãos reprodutivos, intestino e bexiga.

Vale ressaltar que o endométrio cresce e descama em forma de pequeno sangramento todos os meses, sob o comando dos hormônios do ciclo menstrual, ou seja, estrogênio e progesterona.

Mas, no contexto da endometriose, o sangue não consegue escapar do corpo e fica preso, levando à inflamação, dor e formação de tecido cicatricial. É assim que surgem as lesões típicas da doença.

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+ Leia também: Novas luzes sobre a endometriose

Essa inflamação localizada provoca sintomas cíclicos durante os períodos pré-menstrual, menstrual e ovulatório – o principal é a dor.

Dependendo do local afetado, a paciente pode ter disfunções no ato de evacuar e urinar no período menstrual, além de dor durante a penetração mais profunda na relação sexual.

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Acima de tudo, a endometriose é a principal causa de infertilidade na mulher e acomete cerca de 15% da população feminina em idade reprodutiva.

Fadiga crônica: sintoma importante, mas pouco conhecido

O processo inflamatório originado pelas lesões endometrióticas ainda determina alterações químicas sistêmicas no corpo feminino, como a síndrome da fadiga crônica. Nessa situação, a mulher se sente exaurida em sua energia física.

Inúmeros estudos têm revelado que essa falta de energia é um dos sintomas mais relevantes da endometriose, afetando mais da metade das mulheres e causando impactos negativos em vários aspectos da vida — educacional, profissional, social, esportivo e também afetivo.

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Apesar disso, a fadiga não é amplamente conhecida e discutida como sinal de endometriose, mesmo no meio médico. Como resultado, muitas vezes essas pacientes não só são equivocadamente diagnosticadas com depressão como acabam recebendo indicação do uso de ansiolíticos e sedativos.

Um dos motivos capazes de explicar por que dificilmente a fadiga é relacionada à endometriose tem a ver com o fato de que esse cansaço é crônico, e não diretamente ligado ao período menstrual – como ocorre com a cólica.

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Para ter ideia, quando essas pacientes são questionadas sobre os locais de sua casa de que mais gostam, as respostas mais ouvidas são quarto e sala, por causa da presença de cama e sofá, móveis usados para o repouso.

De acordo com estudos realizados recentemente, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, o desconhecimento desse importante sintoma pode fazer com que as mulheres sofram estigmas e sejam taxadas de preguiçosas.

Elas podem enfrentar discriminação no ambiente de trabalho e também em casa pela própria família. Essas pesquisas também relacionam a fadiga à perda da qualidade do sono e ao aumento no nível de estresse.

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A falta de conhecimento pode atrasar ainda mais o diagnóstico da endometriose e, assim, levar a consequências extremamente negativas na vida de uma mulher.

*Ricardo Pereira é cirurgião ginecológico e responsável técnico pelo Centro de Endometriose do Hospital e Maternidade Santa Joana

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