Esteroides anabolizantes também afetam a tireoide
Uso indiscriminado pode gerar sintomas semelhantes ao do hipotireoidismo e até aumentar o risco de nódulos na glândula

Atualmente, os esteroides anabolizantes são amplamente utilizados por quem busca ganho de massa muscular e melhora no desempenho físico.
No entanto, muitas pessoas desconhecem os impactos negativos dessas substâncias na função da tireoide, uma glândula essencial para o equilíbrio do metabolismo. A tireoide regula processos fundamentais como o metabolismo energético, a temperatura corporal e até mesmo o funcionamento do coração e do cérebro.
Alterações nesses hormônios podem levar a sintomas graves, como fadiga intensa, ganho de peso e complicações cardiovasculares.
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Estudos indicam que o uso de esteroides pode reduzir os níveis da globulina ligadora de tiroxina (TBG), uma proteína essencial para o transporte dos hormônios tireoidianos.
Isso pode provocar uma queda nos níveis de T3 e T4, comprometendo o metabolismo e resultando em sintomas semelhantes aos do hipotireoidismo.
Além disso, há evidências de que os esteroides anabolizantes podem interferir na regulação do TSH (hormônio estimulador da tireoide), reduzindo a produção dos hormônios tireoidianos e afetando a função da glândula a longo prazo.
Pesquisas realizadas em animais apontam ainda que o uso prolongado dessas substâncias pode estimular o crescimento descontrolado das células da tireoide, aumentando o risco de nódulos e outras disfunções.
Diante desses riscos, evitar o uso indiscriminado destas moléculas é essencial para preservar a saúde da tireoide e do organismo como um todo. Se você pratica atividades físicas e deseja melhorar seu desempenho, é fundamental buscar orientação médica para encontrar estratégias seguras e eficazes.
Embora os esteroides anabolizantes ofereçam resultados rápidos, seu impacto negativo na função tireoidiana pode trazer consequências sérias a longo prazo. A melhor abordagem para um desempenho físico saudável e sustentável é baseada em hábitos equilibrados, atividade física adequada e acompanhamento profissional.
Seu corpo merece esse cuidado.
*Jefferson Medeiros é médico especialista em oncologia de cabeça e pescoço e professor de clínica cirúrgica há 10 anos na Universidade Estadual do Amazonas