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Câncer de mama: estudo reforça importância do teste genético no tratamento

Para começar o Outubro Rosa, entenda como a tecnologia está revolucionando o manejo dos tumores mais comuns nas mulheres

Por Pedro Exman, oncologista*
1 out 2025, 08h00 •
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Mulheres mais jovens tendem a ser diagnosticadas com tumores em estágio mais avançado (Freepik/Reprodução)
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  • Durante muito tempo, o tratamento do câncer de mama seguia um roteiro quase fixo para todas as pacientes: cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia se indicada. Mas hoje sabemos que cada tumor é único — e cada paciente também.

    Avanços na genética e na biologia molecular permitiram entender que há diferentes “personalidades” do câncer de mama, e que escolher o tratamento certo exige levar em conta não só o tamanho e o estágio da doença, mas também suas características biológicas mais profundas.

    Não basta olhar para o tumor: é preciso “explorá-lo” em nível molecular.

    Nos tumores com receptores hormonais positivos e HER2 negativo — os mais comuns e cuja sobrevivência se baseia no estímulo do hormônio feminino da própria paciente — a escolha entre quimioterapia, terapia hormonal e, às vezes, cirurgia imediata nem sempre é simples.

    É aqui que entram testes genômicos como o Prosigna, OncotypeDx ou Mammaprint, que analisam a atividade de genes do tumor para indicar dois pontos cruciais: o risco de recorrência e a sensibilidade à quimioterapia. Essas informações ajudam a personalizar o tratamento e evitam terapias desnecessárias, com seus efeitos colaterais e impactos na qualidade de vida.

    +Leia também: Por que os casos de câncer em jovens não param de crescer?

    O impacto real do estudo com o Prosigna™

    No estudo prova de conceito que tive a felicidade de desenhar e participar como coautor, avaliamos o impacto do Prosigna™ em pacientes candidatas ao tratamento farmacológico antes da cirurgia (neoadjuvante). O resultado foi marcante: em mais de um terço dos casos (35%), o plano terapêutico mudou após o teste.

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    Em tumores de alto risco, predominou a intensificação, muitas vezes trocando terapia hormonal por quimioterapia. Já nos de risco intermediário ou baixo, as mudanças foram no sentido de reduzir a agressividade, evitando quimioterapia quando ela não traria benefícios claros.

    É a prova de que personalizar não é “fazer diferente por fazer”: é adequar a intensidade do tratamento ao que realmente traz resultado.

    Mais confiança e menos ansiedade para as pacientes

    Além de orientar decisões médicas, o teste teve impacto emocional. Quase nove em cada dez pacientes (87,5%) relataram mais confiança no plano de tratamento, e quase dois terços disseram ter menos ansiedade.

    Entre os médicos, mais de 80% mantiveram ou aumentaram a confiança nas escolhas feitas. Isso mostra que a medicina de precisão também fortalece o vínculo entre paciente e equipe médica, criando um ambiente de decisão mais seguro e transparente.

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    Apesar de exigir validação em estudos maiores para entrar na prática diária, este é um exemplo concreto desta abordagem, que combina dados clínicos, patológicos e genômicos para propor a melhor estratégia para aquela paciente, naquele momento. Mais do que tratar a doença, trata-se de respeitar a individualidade de cada mulher, equilibrando eficácia, segurança e qualidade de vida.

    O futuro aponta para ainda mais personalização. Novos biomarcadores, inteligência artificial e integração de grandes bases de dados devem tornar as recomendações mais assertivas.

    Mas a lição já é simples e poderosa: no câncer de mama, não existe mais um tratamento padrão. Existe o tratamento certo para cada paciente — e encontrá-lo pode mudar não só o desfecho clínico, mas toda a experiência de enfrentar a doença.

    * Pedro Exman é coordenador do grupo de tumores de mama e ginecológicos do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

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