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Mochilas escolares: como evitar dores nas costas das crianças

Entenda como o peso, o uso correto e a organização da mochila escolar ajudam a prevenir dores nas costas e desconfortos em crianças e adolescentes

Por Miguel Akkari, ortopedista pediátrico*
3 fev 2026, 13h37 • Atualizado em 3 fev 2026, 13h41
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Mochilas grandes demais podem comprometer a saúde da criança (Freepik/Reprodução)
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  • O excesso de peso nas mochilas escolares e o esforço repetitivo durante a infância e a adolescência podem estar relacionados a vícios posturais e problemas de coluna na idade adulta.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde, tais problemas são a principal causa de incapacidade em todo o mundo e o número de casos aumentará para 843 milhões até 2050.

    Por isso, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) recomenda que o peso da mochila não ultrapasse de 10% a 15% do peso corporal da criança ou do adolescente. Um jovem de 50 quilos, por exemplo, deveria carregar no máximo entre 5 e 7,5 quilos.

    Essa proporção é importante porque crianças de idades e estaturas diferentes respondem de forma diferente ao mesmo peso.

    Com a volta às aulas, o tema volta ao centro das atenções de pais, educadores e profissionais de saúde. A boa notícia é que, com orientação adequada, organização e escolhas simples, é possível reduzir significativamente dores, incômodos e sobrecarga musculoesquelética no dia a dia escolar.

    Tempo de uso da mochila também importa

    O primeiro ponto que precisa ser considerado é quanto tempo a criança realmente carrega a mochila. Hoje, muitas famílias deixam os filhos na porta da escola, e eles caminham apenas alguns metros até a sala de aula.

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    Essa situação é muito diferente de crianças e adolescentes que percorrem longas distâncias a pé ou utilizam transporte público, carregando a mochila por vários quarteirões. Por isso, é importante não criar alarmismo. O risco não está apenas no peso isolado, mas na relação entre peso, tempo de uso e forma de transporte.

    Organização do material escolar faz diferença

    Grande parte do peso excessivo vem do material didático. Livros e cadernos ainda são pesados, e muitas escolas não dispõem de armários para que os alunos deixem parte do material. Nesse cenário, a organização familiar é fundamental.

    Os pais devem orientar os filhos a levar apenas o material necessário para aquele dia, evitando carregar livros e cadernos que não serão utilizados. Esse hábito simples reduz bastante o peso da mochila.

    Do ponto de vista estrutural, as escolas também podem colaborar, seja oferecendo espaços para armazenamento, seja organizando a grade de aulas para evitar que muitas disciplinas exijam material pesado no mesmo dia.

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    Mochila de rodinhas ou de ombro?

    A mochila de rodinhas pode ser uma boa opção desde que o trajeto seja plano. Em locais com escadas, degraus ou pisos irregulares, ela se torna um problema e pode exigir ainda mais esforço. Nessas situações, a mochila tradicional de ombro, usada corretamente, costuma ser mais adequada.

    Características importantes da mochila ideal

    • Nunca usar mochila de alça única. O ideal é que seja de duas alças, para distribuir o peso;
    • As alças devem ser largas e acolchoadas. Alças finas aumentam a pressão sobre os ombros e o pescoço;
    • A mochila deve ser estruturada, com a parte que fica em contato com as costas mais firme;
    • Modelos com vários compartimentos ajudam a distribuir melhor o peso;
    • Se houver uma alça extra na altura do abdômen, melhor ainda: ela evita que a mochila balance e mantém o peso mais próximo do corpo.

    A regulagem também é essencial. A mochila deve terminar na região lombar, no início do bumbum. Muito alta ou muito baixa, ela altera o centro de gravidade e provoca compensações posturais.

    Como organizar o conteúdo dentro da mochila

    Dentro da mochila, o material mais pesado deve ficar junto às costas, próximo à parte mais rígida. Os itens mais leves podem ser colocados nos compartimentos externos.

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    Essa organização melhora a mecânica do corpo e reduz a sobrecarga sobre a coluna e os ombros.

    Mochila não causa doenças estruturais da coluna

    É importante tranquilizar as famílias. Não há evidências científicas de que o uso de mochila cause doenças estruturais da coluna, como escoliose. Essas são condições de origem própria, não são provocadas pelo peso da mochila.

    O que a mochila pode causar são dores e desconfortos pontuais: dor nas costas, nos ombros e no pescoço, especialmente quando usada de forma inadequada, em apenas um ombro, com excesso de peso ou mal regulada. Esses incômodos não costumam gerar lesões permanentes, mas afetam o bem-estar da criança e do adolescente e devem ser prevenidos.

    Com organização, escolha adequada da mochila e orientação constante, é possível atravessar o ano letivo com mais conforto, menos dor e mais saúde para a coluna, hoje e no futuro.

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    Miguel Akkari, ortopedista pediátrico e presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)

     

     

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