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Transporte ilegal de Mounjaro pode levar a perda de eficácia e mais riscos

Contrabando e distribuição irregular da tirzepatida ampliam perigos à saúde pública no Brasil

Por Liana Montemor, farmacêutica*
29 jan 2026, 06h00 •
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Contrabandeio de Mounjaro e outras canetas antiobesidade está crescendo no Brasil (Ilustração: Laís Zanocco/Veja Saúde)
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  • A crescente procura por canetas usadas no tratamento do diabetes tipo 2 e, cada vez mais, para o emagrecimento, tem impulsionado um mercado paralelo preocupante no Brasil.

    O Mounjaro (tirzepatida), medicamento injetável de alto custo e uso controlado, tornou-se alvo frequente de contrabando e transporte clandestino, um problema que vai além da ilegalidade e representa um risco concreto à saúde pública.

    Em janeiro, uma mulher foi presa ao ser flagrada transportando 246 ampolas de Mounjaro escondidas dentro de almofadas de pescoço, em um ônibus de turismo na Rodovia Raposo Tavares, em Assis (SP).

    O caso chamou atenção pela forma improvisada do transporte, mas não é isolado. A recorrência de apreensões semelhantes revela como a alta demanda pelo medicamento, especialmente para fins de emagrecimento, tem alimentado práticas irregulares e potencialmente perigosas.

    +Leia também: Tirzepatida: como saber se é falsa e como não cair em ciladas

    Popularidade em alta, cuidados ignorados

    Muitas vezes impulsionados por promessas de emagrecimento rápido, consumidores passam a buscar o produto fora do circuito oficial, sem prescrição adequada e sem garantias mínimas de qualidade.

    O problema é que o Mounjaro não é um medicamento comum. Trata-se de um item termolábil, cuja eficácia e segurança dependem não apenas do princípio ativo, mas também das condições de armazenamento, transporte e manuseio ao longo de toda a cadeia, desde do laboratório fabricante até a casa do paciente.

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    Cadeia fria: quando a exceção vira risco

    Durante sua fabricação, armazenamento e distribuição, o Mounjaro integra a chamada cadeia de frio, com controle de temperatura entre 2°C e 8 °C.

    A bula do medicamento prevê que, após a retirada da refrigeração, a caneta possa permanecer por um período limitado em temperatura ambiente controlada, respeitando limites específicos de tempo e calor. Este tempo previsto em bula deve ser usado pelo paciente.

    Durante o transporte, o controle de temperatura e tempo é essencial para garantir a integridade do produto.

    No entanto, no comércio ilegal, não há qualquer garantia de que esses limites de tempo e temperatura tenham sido respeitados, nem de que o produto não tenha sido exposto a calor excessivo, congelamento ou variações repetidas, fatores que podem comprometer sua eficácia e segurança.

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    +Leia também: “Mounjaro do Paraguai”: entenda os riscos de canetas emagrecedoras sem regulamentação

    Excursões térmicas e riscos invisíveis

    Essas variações, conhecidas como excursões térmicas, representam um dos principais riscos para medicamentos termolábeis. Elas podem comprometer a estabilidade físico-química da molécula, levando à redução da potência terapêutica e, em situações mais graves, à perda de segurança do produto.

    O desafio é que esse tipo de dano não é perceptível. A embalagem pode parecer intacta, mas o conteúdo já não oferece o efeito esperado. Para o paciente, isso pode significar falha no tratamento, falsa percepção de ineficácia do medicamento e prejuízo financeiro, além de riscos à saúde.

    A saúde começa cuidando do que você consome

    Antes de buscar qualquer medicamento para emagrecimento ou controle do diabetes, o paciente deve se certificar da procedência do produto e da credibilidade do fornecedor.

    Consultar um profissional de saúde, adquirir em estabelecimentos licenciados e seguir corretamente as orientações de armazenamento não é apenas uma formalidade: é a única forma de garantir que o tratamento funcione e seja seguro.

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    *Liana Montemor é farmacêutica e diretora técnica e estratégica em cold chain do Grupo Polar

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