Oferta Relâmpago: Saúde por apenas 5,99
Imagem Blog

Com a Palavra

Por Blog Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

Violência no trânsito: uma ferida aberta no sistema de saúde

O Maio Amarelo termina, mas a mobilização pela redução no número de acidentes não pode parar

Por Robinson Esteves Pires, ortopedista e traumatologista*
30 Maio 2025, 13h00 • Atualizado em 30 Maio 2025, 13h02
violencia-transito-maio-amarelo
Violência no trânsito ainda faz muitas vítimas no Brasil (Freepik/Reprodução)
Continua após publicidade
  • Com o encerramento do Maio Amarelo, ação que foca na conscientização por um trânsito mais seguro, é hora de lembrar que o alerta não pode terminar junto com a campanha. Pelo contrário, precisa ser reforçado todos os meses, todos os dias.

    A cada nova vítima, a cada nova família dilacerada por um acidente evitável, fica mais evidente a urgência de ações concretas e duradouras para transformar essa realidade.

    +Leia também: Com saúde no trânsito

    Números que não param de crescer

    Dados inéditos divulgados pelo Atlas da Violência 2025, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), envolvendo o ano de 2023, mostram que o Brasil registrou 34,8 mil mortes no trânsito.

    É um número que evidencia uma tendência de alta desde 2019, e que revela uma face pouco discutida da violência no país: a das ruas e estradas.

    Estados como Tocantins, Mato Grosso e Piauí apresentaram os piores resultados proporcionais. E um ponto chama a atenção: os acidentes envolvendo motocicletas têm crescido exponencialmente, mais de dez vezes nas últimas três décadas.

    Esse aumento revela um cenário complexo, que envolve desde a fragilidade da infraestrutura viária até comportamentos de risco, como a imprudência e a desatenção, não apenas dos motociclistas, mas de todos os que dividem o espaço urbano.

    Continua após a publicidade

    A conta chega para todos

    Quando o acidente de trânsito não é fatal, os sobreviventes, muitas vezes, não retornam à vida que tinham antes. Ficam com sequelas físicas, neurológicas e psicológicas, perdem sua autonomia e, frequentemente, a capacidade de trabalhar. Isso significa menos renda para suas famílias, mais dependência de benefícios previdenciários e maior pressão sobre a rede de apoio social.

    Os acidentes de trânsito desencadeiam impactos físicos, sociais e econômicos, que afetam não apenas os envolvidos, mas toda a sociedade.

    Diariamente, hospitais públicos e serviços de emergência lidam com casos graves, muitos deles envolvendo politraumatismos, em que múltiplos órgãos ou partes do corpo são afetados. Essas situações exigem cuidados intensivos, cirurgias complexas e longos períodos de internação e reabilitação.

    Nos últimos dez anos, o SUS contabilizou 1,8 milhão de internações por acidentes de trânsito, segundo as bases oficiais do Ministério da Saúde, totalizando R$ 3,8 bilhões em despesas hospitalares diretas. Com esse montante, seria possível, por exemplo, construir de 32 a 64 hospitais de médio porte, adquirir mais de 15 mil ambulâncias básicas ou, ainda, habilitar quase 13 mil novos leitos de UTI.

    Continua após a publicidade

    +Leia também: O impacto do trânsito na saúde mental

    Prevenção e responsabilidade

    Valorizar a vida no trânsito exige mais do que ações isoladas. É preciso integrar políticas públicas que articulem saúde, segurança, urbanismo e mobilidade. Isso passa por fiscalização efetiva, educação contínua para o trânsito, melhoria da sinalização e ampliação de ciclovias e faixas exclusivas.

    No entanto, a responsabilidade não está apenas nas mãos do poder público. Motociclistas, ciclistas, pedestres e condutores precisam ser conscientes de que suas atitudes no trânsito impactam a todos.

    Dirigir com atenção, sem distrações como o uso do celular, respeitar os limites de velocidade, não beber antes de dirigir e evitar ultrapassagens arriscadas são escolhas decisivas que podem determinar a diferença entre a vida e a morte.

    Cada um de nós deve contribuir para a segurança das ruas, tanto pela nossa conduta individual quanto pelo cuidado com a segurança do outro, a mudança depende de todos. O trânsito brasileiro não pode continuar sendo um campo de guerra.

    Continua após a publicidade

    *Robinson Esteves é médico ortopedista e traumatologista especialista em trauma ortopédico, presidente da Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA DE VERÃO

    Digital Completo

    Sua saúde merece prioridade!
    Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    OFERTA DE VERÃO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.