“Sou prova viva de que nunca é tarde para começar a se exercitar”
Aos 68, ela resolveu dar uma guinada na sua vida em prol da saúde, e já colhe os frutos positivos da escolha

No ano passado, aos 68 anos, fiz uma escolha que mudou minha vida: comecei a nadar. Sempre fui obesa e, ao longo da vida, experimentei diferentes atividades físicas, como dança e pilates. Mas foi apenas em 2024, agora com 69 anos, que me aventurei pela primeira vez no mundo da musculação.
Essa decisão veio a partir de uma orientação médica, algo que hoje reconheço como um divisor de águas na minha jornada pela saúde e bem-estar.
Minha história com exercícios não foi sempre tão positiva. Em 2020, enfrentei um dos momentos mais desafiadores da minha vida. Devido ao meu peso, desenvolvi problemas no joelho que me deixaram em uma cadeira de rodas. Foi um período difícil, mas que também me fez perceber a importância de cuidar do meu corpo.
Com o acompanhamento médico do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), iniciei sessões de infiltração com ácido hialurônico no joelho. Essas sessões, combinadas com muita determinação e paciência, me permitiram deixar a cadeira de rodas em 2022. Aos poucos, comecei a usar bengalas, mas sonhava com o dia em que poderia caminhar livremente de novo.
Foi então que os médicos do esporte do HSPE entraram na minha vida. Durante seis semanas, participei de aulas de fortalecimento muscular as segundas e quartas-feiras. Esse acompanhamento especializado foi fundamental para minha recuperação.
+Leia também: Atividade física: para cada fase, um tipo diferente
Cada exercício, cada orientação, cada pequeno progresso foi como um degrau na escada da minha independência. Morar longe do HSPE não foi desculpa para parar. Inscrevi-me em uma academia local e agora treino três vezes por semana.
E hoje, graças a esse trabalho e à musculação que iniciei em uma academia próxima de casa, consigo subir e descer as escadas do sobrado onde moro sem qualquer dificuldade.
Sobre envelhecer com saúde e autonomia

Posso dizer com orgulho que vejo e sinto as mudanças no meu corpo. Minhas pernas, antes tão frágeis, ganharam força e agilidade. Já não preciso de bengalas nem de qualquer apoio para caminhar. A sensação de liberdade que isso me trouxe é indescritível.
Fiz uma bioimpedância recentemente e tive mais uma boa notícia: perdi três quilos, sendo um somente de gordura. Sei que ainda há um longo caminho pela frente, mas cada quilo perdido, cada grama de massa muscular adquirida, é uma vitória que celebro com entusiasmo. Essa conquista me faz acreditar que nunca é tarde para recomeçar.
Aprendi que o exercício físico não é apenas sobre perder peso ou ganhar força. É sobre qualidade de vida. É sobre envelhecer com saúde, autonomia e alegria. O envelhecimento saudável exige cuidados, e o fortalecimento muscular é um pilar essencial nesse processo. Hoje, olho para trás e vejo o quanto evoluí.
A musculação e a natação trouxeram não só benefícios físicos, mas também emocionais. Sentir-me capaz, superar limites e reconquistar minha independência foi transformador. Sei que muitos podem pensar que começar a se exercitar aos 68 é tarde demais, mas sou a prova viva de que nunca é. O corpo humano é incrível e responde independentemente da idade.
Hoje, minha mensagem para todos, em qualquer fase da vida, é simples: movimente-se. Seja qual for a sua condição, há sempre algo que você pode fazer pelo seu corpo. Com orientação médica e persistência, é possível superar desafios e alcançar resultados que antes pareciam impossíveis.
Se eu consegui, você também pode.
*Ana Maria da Silva tem 69 anos e é de São Paulo