Oferta Relâmpago: Saúde por apenas 5,99
Imagem Blog

O Futuro do Diabetes

Por Blog Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Carlos Eduardo Barra Couri é endocrinologista, pesquisador da USP de Ribeirão Preto e criador do Endodebate e do Diacordis. Aqui ele mapeia os cuidados e os avanços para o controle do diabetes

OMS lança primeira diretriz sobre canetas emagrecedoras contra obesidade

Entidade aborda o que há de mais moderno no tratamento da doença crônica e chama a atenção para a necessidade de novas políticas públicas

Por Carlos Eduardo Barra Couri
2 dez 2025, 09h49 •
remedio-obesidade-diabetes
Semaglutida e tirzepatida têm potencial para tratar doenças associadas à obesidade e ao diabetes (Dulla/Veja Saúde)
Continua após publicidade
  • A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta segunda-feira, 1º de dezembro, uma diretriz inédita sobre o uso de terapias antiobesidade como liraglutida, semaglutida e tirzepatida para o tratamento da obesidade em adultos.

    A publicação, apresentada hoje no Journal of the American Medical Association (JAMA), representa um marco histórico na abordagem global da doença e formaliza o papel destes medicamentos em estratégias de tratamento de longo prazo.

    Trata-se de uma inflexão significativa na forma como governos, sistemas de saúde e sociedades devem enfrentar uma condição que já afeta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo.

    A obesidade, reconhecida pela OMS como uma doença crônica e recidivante, está associada a 3,7 milhões de mortes por ano — o equivalente a 12% de todos os óbitos relacionados a doenças crônicas não transmissíveis. O impacto econômico também avança em ritmo acelerado: estimativas internacionais projetam custos globais superiores a US$ 3 trilhões anuais até 2030.

    Em países com altas taxas de prevalência, até 18% do orçamento de saúde pode ser consumido por condições vinculadas ao excesso de peso.

    Nova diretriz orienta uso prolongado e combinado de medicamentos

    Diante desse cenário, a diretriz da OMS estabelece duas recomendações centrais. A primeira orienta o uso prolongado de antiobesidade, definindo “longo prazo” como seis meses ou mais, em adultos vivendo com obesidade.

    Mas cá para nós: 6 meses ainda é pouco, tendo em vista últimos estudos publicados, mostrando que mesmo após 9 meses de tratamemto com semaglutida na maior dose, 2,4 mg por semana e tirzepatida na dose de 15mg por semana o reganho de peso é inevitável.

    Continua após a publicidade

    A segunda recomendação é a de que esses medicamentos sejam sempre combinados com terapia comportamental intensiva, incluindo metas estruturadas de alimentação, atividade física e acompanhamento regular.

    As duas recomendações, classificadas como condicionais, refletem a eficácia comprovada das terapias baseadas em GLP-1, mas também os desafios globais relacionados a custo, acesso, equidade e capacidade operacional dos sistemas de saúde.

    +Leia também: Brasil pode evitar 1 em cada 4 casos de obesidade com essas 4 estratégias

    GLP-1 entram na lista de medicamentos essenciais da OMS

    Um ponto de destaque da publicação é a inclusão dos GLP-1 na Lista Modelo de Medicamentos Essenciais da OMS para adultos com obesidade e risco cardiometabólico elevado.

    A decisão coloca um holofote sobre a necessidade de ampliar a produção global, reduzir custos e criar mecanismos internacionais de acesso — uma vez que, atualmente, a capacidade produtiva das indústrias atenderia menos de 10% das pessoas que vivem com obesidade no mundo.

    A OMS sugere caminhos como:

    Continua após a publicidade
    • Acordos de licenciamento;
    • Fabricação local;
    • Ampliação de concorrência;
    • Estratégias de precificação diferenciada.

      Medicamentos não substituem políticas públicas

      Os medicamentos representam um avanço expressivo, mas não substituem intervenções estruturais.

      Embora reconheça o impacto dos medicamentos, a diretriz afirma que o enfrentamento da obesidade exige um ecossistema de políticas integrado, que englobe prevenção, educação, ambientes alimentares mais saudáveis, regulação de ultraprocessados, infraestrutura urbana adequada e fortalecimento da atenção primária.

      Continua após a publicidade

      Brasil recebe um alerta

      A publicação do JAMA traz um alerta implícito para o Brasil. Com prevalências crescentes de obesidade e sobrepeso em todas as faixas etárias, o país enfrenta impactos significativos no SUS e na economia.

      Diante da diretriz divulgada hoje, acreditamos que já passou o momento de apresentar uma política de Estado robusta e permanente para o enfrentamento da obesidade — uma política que transcenda ciclos de governo, seja intersetorial e baseada em evidências. Mas nunca é tarde para se iniciar.

      E há um consenso entre pesquisadores e organizações de saúde: política de Estado para obesidade não se resume a disponibilizar Mounjaro ou Ozempic. Isso representa apenas uma parte do problema — e não a solução completa.

      O país acumula expertise técnica, capacidade regulatória e histórico de protagonismo em políticas de saúde pública como a anti-tabagismo, no combate ao HIV, pré-natal etc. No entanto, ainda não dispõe de uma estratégia nacional consistente que acompanhe a nova realidade científica das doenças ligadas ao excesso de peso.

      A diretriz da OMS — publicada hoje — é um chamado global. E, para o Brasil, um lembrete urgente de que o tempo de planejamento passou: agora é o momento de agir.

      Continua após a publicidade

      A questão é se o Brasil estará na linha de frente desse movimento ou seguirá assistindo à distância a maior transformação do século no combate à obesidade.

      +Leia também: Comissão nega entrada de medicamentos para obesidade no SUS

      Compartilhe essa matéria via:

       

      Publicidade

      Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

      Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

      OFERTA DE VERÃO

      Digital Completo

      Sua saúde merece prioridade!
      Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
      De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
      OFERTA DE VERÃO

      Revista em Casa + Digital Completo

      Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
      De: R$ 26,90/mês
      A partir de R$ 9,90/mês

      *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
      *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.