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Memória Viva

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O neurologista e pesquisador Wyllians Borelli, coordenador do Centro de Memória do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, compartilha os progressos e os desafios para preservar a saúde cerebral e se proteger de Alzheimer e outras doenças

Por que aprender outro idioma pode proteger o cérebro do envelhecimento

Estudos mostram que o aprendizado de novas línguas pode reduzir o impacto do envelhecimento cerebral e ampliar benefícios cognitivos, sociais e culturais

Por Wyllians Borelli
21 dez 2025, 04h00 • Atualizado em 29 dez 2025, 14h49
Aprender um novo idioma pode promover melhorias cognitivas, como memória, atenção e raciocínio, e até atrasar o surgimento de sintomas de doenças neurodegenerativas.
Aprender um novo idioma pode promover melhorias cognitivas, como memória, atenção e raciocínio, e até atrasando o surgimento de sintomas de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer, (Design by Freepik/Freepik)
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  • Estamos numa série de textos falando sobre os fatores de risco modificáveis e preveníveis de demência, certo? O primeiro foi educação; o segundo, perda auditiva. Mas, recentemente, a ciência avançou para entender ainda mais como uma parte específica da educação protege o cérebro. Segundo uma nova análise, publicada na revista Nature, aprender novas línguas reduz o envelhecimento cerebral. Não apenas porque é chique falar outros idiomas, mas também porque ser poliglota significa muitos benefícios para o cérebro.

    O estudo foi produzido pelo grupo do Agustín Ibañez, neurocientista latino-americano que vem revolucionando o que se entende por fatores de risco de demência. As evidências sobre a relação positiva entre memória e a multilinguagem foram encontradas em uma cidade do Brasil, mas também em 86 mil pessoas cognitivamente saudáveis (sem esquecimentos) ao redor de diversos países.

    +Leia também: Não é preciso esperar a demência chegar: é fundamental falar em prevenção

    As avaliações foram muito criteriosas e avaliaram indivíduos que falavam apenas um idioma ou mais de um, e compararam com um relógio de envelhecimento cerebral que eles desenvolveram. E o mais impressionante — o multilinguismo (aprender vários idiomas) pode reduzir pela metade o impacto do envelhecimento no cérebro. Existem várias razões que explicam como um novo idioma protege o cérebro — e o envelhecimento geral do corpo.

    O impacto cognitivo e social de aprender uma nova língua

    Aprender idiomas é ganhar novas formas de pensar, conectar-se com outras culturas e gerar empatia, abrindo um mundo de possibilidades e autoconfiança, mesmo que dominar todos os idiomas seja um desafio constante, é uma jornada de descoberta e prazer.

    Aprender uma nova língua significa entender um novo método de pensamento — você precisa traduzir as palavras, entender o que a palavra significa naquele idioma. Mas isso é apenas a camada mais superficial: imagine que até as expressões de surpresa mudam, o modo de conexão entre as pessoas, o significado das palavras mudam.

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    É, de fato, impressionante o poder que aprender uma nova língua tem no nosso cérebro. Você pode muito bem ter uma personalidade em uma língua e outra personalidade em outra língua — e isso é completamente esperado.

    Por exemplo, imagina explicar para um estrangeiro a expressão “Não é uma Brastemp”. Quem é nativo do Brasil, e nasceu entre uma determinada época, sabe que essa expressão implica que o produto pode ser bom, mas não é o melhor da categoria.

    Traduzir a frase ipsis litteris não consegue explicar todo o sentido dela. E isso está implícito quando você conversa fluentemente em outra língua — não é apenas traduzir as palavras, mas se fazer entender de forma que seu interlocutor saiba o que você está falando.

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    É sobre conexão. Na neurologia cognitiva, chamamos isso de cognição social — a capacidade de entender a nós mesmos, os outros e as relações sociais, guiando como pensamos, sentimos e agimos em contextos sociais, envolvendo desde ler expressões faciais e linguagem corporal até formar alianças e prever comportamentos.

    +Leia também: Idosos estão cada vez mais nas universidades e no mercado de trabalho

    Por que aprender outro idioma vai além do indivíduo

    O impacto de aprender outro idioma vai muito além do que imaginamos na proteção cerebral. Tem impacto comunitário, social, político. Faz você aprender o que o outro povo está pensando, e te ensina a ver um cenário maior de como um povo pensa.

    Aparte disso, os autores (e eu concordo) reforçam a importância de sistemas educacionais ao redor do mundo ensinarem outro idioma aos seus cidadãos — não apenas ter aquela aula de inglês na escola, mas de fato colocar em contato diferentes culturas. Agora, a nível individual, fica o convite: allez-vous étudier une autre culture?

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