Anvisa aprova Ozempic e Wegovy para risco cardiovascular e doença renal crônica
Ampliação do uso é resultado de estudos comprovando benefícios dos medicamentos com semaglutida para outros problemas relacionados ao diabetes e à obesidade
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na segunda-feira (2) novos usos para medicamentos à base de semaglutida, o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy.
Já utilizados oficialmente no Brasil para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, os fármacos agora terão seu uso ampliado para redução de risco de doenças cardiovasculares e para o tratamento da doença renal crônica.
Entenda mais como vai funcionar a nova indicação.
O que muda com a nova indicação
A ampliação do uso é resultado de estudos que vêm demonstrando os benefícios da semaglutida na redução de eventos adversos frente a problemas cardiovasculares e renais. Embora o princípio ativo e o fabricante seja o mesmo, a indicação específica de cada medicamento é distinta.
O Ozempic, que já era parte do tratamento de pessoas com diabetes tipo 2, agora também pode ser utilizado para a doença renal crônica. Estudo apresentado pela fabricante demonstrou que o medicamento, aliado à terapia padrão, reduziu a progressão da insuficiência renal. Estima-se que 29% dos pacientes em diálise no Brasil são diabéticos.
Já o Wegovy, que tem indicação formal para o tratamento da obesidade, também poderá ser indicado para a redução de risco de eventos cardiovasculares graves. Nesse caso, o medicamento deve ser utilizado em conjunto com uma dieta hipocalórica e a prática de atividade física, indicação que já existe para quem busca perder ou manter o peso com o uso da semaglutida.
Estima-se que 400 mil brasileiros morram por ano em decorrência de problemas cardiovasculares como o infarto e o AVC.
Benefícios seguem sendo pesquisados
Ao redor do mundo, pesquisas continuam a decifrar o modo de ação e outros potenciais da semaglutida na saúde em geral. Alguns dos estudos mais ambiciosos avaliam seu potencial em enfrentar a dependência química por cocaína, e já houve até tentativa de utilizá-la para frear o Alzheimer (potencial que, infelizmente, não foi confirmado pela ciência).
Outras vias de tratamento com evidências mais consolidadas já renderam ampliação das indicações originais, inclusive no Brasil. Em dezembro, por exemplo, a Anvisa havia ampliado o uso do Wegovy para tratar gordura no fígado com inflamação em adultos com fibrose moderada a avançada. A aprovação para outros usos relacionados a problemas hepáticos continua sob avaliação da agência.
Também nesta segunda-feira, a Novo Nordisk, que fabrica o Ozempic e o Wegovy, submeteu à análise da Anvisa a versão em comprimidos do seu medicamento usado no tratamento da obesidade. Já apelidado de Wegovy Pill, o tratamento oral tem eficácia semelhante à versão injetável, e chegou ao mercado norte-americano no começo de janeiro.





