Cidade no Pará tem surto de casos da doença de Chagas com 4 mortes
Cuidados com o manejo do açaí são prioridade para conter transmissão da infecção em Ananindeua
O Ministério da Saúde classificou como surto a situação da doença de Chagas em Ananindeua, no Pará. Causada pelo protozoário Trypanosoma Cruzi, a infecção pode atingir o coração e levar à morte.
Na cidade paraense, 14 casos e 4 óbitos foram registrados somente neste mês, entre elas a de uma menina de 11 anos e um jovem de 26 anos. Em todo o ano de 2025 foram registrados 45 casos e 26 deles foram confirmados em dezembro. Já o número de vítimas fatais é maior do que o registrado nos últimos 5 anos.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que segue os protocolos do Ministério da Saúde, com apoio técnico do Instituto Evandro Chagas, e que monitora outros 40 casos suspeitos.
Em nota, o Ministério da Saúde identifica o cenário na cidade como um “surto associado à transmissão oral”, que ainda está em investigação por equipe de vários órgãos,entre eles a Secretaria Estadual de Saúde do Pará, a Anvisa e o os Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde.
A doença de Chagas é transmitida principalmente pelo consumo de alimentos contaminados com fezes do inseto barbeiro, que é o hospedeiro do Trypanosoma cruzi. Na região de Ananindeua, o cuidado com o manejo do açaí é a principal barreira contra a doença, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
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Qual a relação entre o açaí e a doença de Chagas?
Acredita-se que a contaminação esteja relacionada ao processamento do açaí, que normalmente ocorre à noite: o barbeiro seria atraído pelas luzes do local e, após algum tempo, acaba defecando sobre o produto que será direcionado ao consumo.
Essa é uma via de transmissão que chama cada vez mais a atenção das autoridades. Em 2020, uma meta-análise de pesquisadores do Acre concluiu que 70% dos casos de Chagas atualmente vêm da alimentação, e não da transmissão pela picada do barbeiro.
Mas não é só o açaí o problema. Outro modo comum de contrair a doença é através do caldo de cana. Nesse caso, o inseto pode acabar triturado junto com a cana-de-açúcar, especialmente quando o processo acontece em lugares abertos, como barraquinhas de rua.
Uma maneira de frear esta via de transmissão é capacitar profissionais envolvidos nesses processos, como tem feito a prefeitura de Ananindeua, que já qualificou cerca de 1000 trabalhadores desde 2025.







