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Internações por canetas emagrecedoras: quantas ocorreram e o que se sabe?

Número crescente de relatos sobre eventos adversos tem causado preocupação em torno de produtos como Mounjaro e Ozempic

Por Maurício Brum 25 fev 2026, 16h59
canetas-antiobesidade
Canetas antiobesidade estão revolucionando o tratamento da condição, mas ainda são inacessíveis para muitos (Alones Creative/Getty Images)
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O aumento de uso de canetas emagrecedoras pelo Brasil também veio acompanhado de cada vez mais relatos de efeitos colaterais indesejados por pessoas que utilizaram o medicamento. A pancreatite, um evento adverso reconhecido em bula, entrou ainda mais no radar após a confirmação de (raros) casos graves e potencialmente fatais.

No último Carnaval, figuras dos desfiles como a madrinha de bateria da Dragões da Real, Lexa, e a musa da Colorado do Brás, Izadora Morais, revelaram internações por complicações associadas ao uso desses medicamentos.

Com tanto alarde no noticiário, surgem dúvidas sobre a segurança desse tipo de fármaco. Afinal, casos assim são realmente comuns? Confira o que dizem os números oficiais no Brasil.

País tem menos de 2,5 mil notificações em sete anos

No Brasil, os dados oficiais sobre possíveis eventos adversos associados a medicamentos são registrados no sistema de farmacovigilância da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o VigiMed. No painel, cuja série histórica começa em dezembro de 2018, os dados estão atualizados até 7 de dezembro de 2025.

E, apesar de um recorte que contempla sete anos de registros do tipo, mesmo uma seleção ampla de princípios ativos vinculados às canetas emagrecedoras revela um cenário de eventos adversos ainda pouco disseminados: são 2.436 notificações ao longo do período, considerando todos os medicamentos que utilizam algum análogo de GLP-1 (lista que contempla os hoje muito famosos semaglutida e tirzepatida, mas também a liraglutida e a dulaglutida).

+Leia também: Quais são os efeitos colaterais comprovados de Ozempic e Mounjaro? 

A maioria dos casos, quase 72%, foram notificados em pacientes do sexo feminino. O aumento da popularidade das canetas também fez os registros dispararem, acompanhando um aumento do uso: em 2021, primeiro ano com registros mais robustos para análogos de GLP-1, foram 301 notificações no ano; em 2025, já eram 1.189.

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Desse total, foram registrados 2.442 eventos adversos classificados como hospitalização ou prolongamento de hospitalização. O número de eventos pode superar o total de notificações porque um mesmo relato pode contemplar vários eventos para uma só pessoa – por exemplo, nesta situação, um mesmo paciente que foi hospitalizado e precisou ficar mais tempo internado do que o previsto.

Um total de 232 casos foram definidos como ameaças à vida, e 130 resultaram em óbitos com suspeita de associação a esses medicamentos.

Notificação não confirma causa e efeito

Os dados contemplados no VigiMed referem-se apenas a suspeitas de eventos adversos associados aos medicamentos (e vacinas) listados na plataforma. O painel da farmacovigilância não traz os resultados de análises técnicas para atribuir a causalidade desses eventos ao produto mencionado.

Outra limitação dos dados é que não é possível ter certeza se os casos vieram de medicamentos registrados regularmente no Brasil: a maioria dos registros é feita por princípio ativo, não detalhando a marca ou a origem do fármaco, o que pode acabar incluindo manipulações ou produtos de origem irregular.

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Nos últimos meses, por exemplo, têm se tornado comuns os problemas com o “Mounjaro do Paraguai“, um produto supostamente à base de tirzepatida sem relação com o Mounjaro vendido legalmente no país.

Cuidados com o uso das canetas emagrecedoras

Os análogos de GLP-1 são usados para o tratamento de diabetes tipo 2 e para o controle de peso em pacientes com obesidade, ou com sobrepeso associado a alguma comorbidade. Usos para emagrecer sem preencher esses critérios, como quem busca “perder uns quilinhos” mesmo estando abaixo do IMC previsto na bula, aumentam a chance de efeitos indesejados.

+Leia também: Uso de “canetas emagrecedoras” sem indicação preocupa cientistas; entenda por quê

Mas, mesmo fazendo o uso correto e utilizando um produto legítimo, efeitos colaterais podem ocorrer com qualquer pessoa. Até o momento, tanto a Anvisa quanto os profissionais de saúde entendem que os benefícios superam em muito os riscos, já que os eventos adversos continuam raros, mas o acompanhamento médico é fundamental para determinar a dose correta e a suspensão do uso em caso de complicações.

Além disso, qualquer produto adquirido de forma irregular não passou por fiscalização da Anvisa para assegurar a qualidade e eficácia, e nem mesmo tem garantias de que efetivamente conte com o princípio ativo anunciado. O custo é elevado, mas, em nome da saúde, a indicação é sempre adquirir o medicamento legítimo.

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