Mês do Consumidor: Saúde por apenas 9,90

Mulher morre após usar piscina de academia: como isso pode acontecer?

Excesso de químicos, como o cloro usado na limpeza, pode provocar irritações potencialmente fatais. Nem sempre dá para saber a segurança antes de entrar na água

Por Maurício Brum
9 fev 2026, 09h56 •
c4-gym-sao-lucas
Polícia investiga que produto foi usado na água (C4 Gym/Divulgação)
Continua após publicidade
  • Uma mulher morreu e outras quatro pessoas foram internadas após sofrer uma intoxicação por produtos químicos na piscina de uma academia da zona leste de São Paulo. O caso ocorreu no último sábado (7) e a vítima, a professora Juliana Faustino Basseto, de 27 anos, veio a óbito no dia seguinte.

    A polícia investiga o que pode ter causado o episódio, que parece estar relacionado a algum produto utilizado na água.

    Veja o que já se sabe sobre o caso.

    O que aconteceu

    Alunos de natação da academia C4 Gym, unidade São Lucas, na zona leste de São Paulo, relataram ter sentido um forte odor de produtos químicos na área das piscinas no dia em que o incidente ocorreu. Segundo as testemunhas, o gosto da água também estava alterado.

    Pessoas que tiveram contato com a água depois registraram sintomas como vômito e ardência nos olhos, nariz e pulmões. No caso de Juliana, a situação se agravou, gerando uma parada cardíaca que se revelou fatal.

    A academia foi interditada pelas autoridades e, segundo informações preliminares das investigações policiais, diversas irregularidades já teriam sido constatadas no local, incluindo ausência de alvará, acondicionamento incorreto dos produtos de limpeza da piscina e falta de ventilação adequada na área da piscina.

    Continua após a publicidade

    Ainda não se sabe exatamente qual material havia sido utilizado na água.

    +Leia também: Intoxicação exógena: sintomas, primeiros socorros e possíveis tratamentos

    Como ocorre uma intoxicação na piscina?

    O caso em questão ainda está sob investigação, então não é possível afirmar com certeza o que causou a intoxicação. No entanto, episódios similares já foram registrados no passado e, com frequência, têm a ver com uma superdosagem de cloro na água.

    O cloro faz parte de diferentes produtos de limpeza e tem a função de matar micro-organismos que podem contaminar a água. No entanto, a dose adequada é essencial para evitar riscos à saúde humana: assim como elimina outros seres vivos, o cloro também pode se revelar fatal para nós em caso de contato excessivo com o produto.

    Em condições normais, ele deve estar em concentrações de 1 a 3 partes por milhão (ppm). Acima disso, podem surgir problemas relacionados à substância, que geralmente se tornam fatais quando o nível supera os 10 ppm.

    Continua após a publicidade

    Diante de altas concentrações de cloro, qualquer contato (pelo simples toque com a pele, pela inalação ou por engolir a água) pode provocar sintomas graves nas pessoas envolvidas, bem semelhantes aos citados no caso recente em São Paulo: dificuldades respiratórias, irritação nos olhos e até queimaduras na pele.

    Em doses ainda mais altas, a intoxicação por cloro pode levar a lesões e edemas pulmonares e a uma parada cardiorrespiratória. A dose fatal varia de pessoa para pessoa, dependendo do nível de contato com a substância e fatores individuais de saúde.

    A polícia ainda busca determinar se foi o cloro ou outra substância que levou aos problemas registrados no final de semana na C4 Gym.

    Tem como saber se uma piscina é segura?

    No caso registrado na zona leste de São Paulo, sobreviventes relataram que, além do cheiro forte de produtos químicos e do gosto estranho da água, ela também estava turva.

    Continua após a publicidade

    Embora esses sinais nem sempre sejam indicativos de um risco mais grave, o episódio chama atenção para que se evite entrar em piscinas que não guardam características típicas de um local que passa pela manutenção correta.

    Sem equipamentos específicos para medir a concentração de cloro e outras substâncias na água, nem sempre é possível saber de antemão se a água da piscina pode representar algum risco à saúde, pois alguns produtos químicos podem não render sinais óbvios antes que seja tarde demais, quando a pessoa já teve um contato prolongado com o líquido

    De forma contraintuitiva, o “cheiro de cloro”, por exemplo, costuma ser um indicativo de que a água está deficiente no produto, e não sinaliza um excesso, que pode ser inodoro. Ele é causado pelas cloraminas, subprodutos que se formam quando o cloro reage de forma insuficiente com outras substâncias que se busca eliminar na água.

    O indicado é, sempre que possível, só frequentar piscinas em estabelecimentos de confiança e não entrar em uma que pareça ter algum cheiro, cor ou outro indicativo de que está fora do padrão.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    Sua saúde merece prioridade!
    Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.