Ninfoplastia: entenda como funciona a cirurgia íntima
Procedimento que modifica anatomia da genitália pode ser empregado quando há problemas de saúde, mas se tornou popular por motivos estéticos

Parte de um pacote de intervenções chamadas de “rejuvenescimento genital” nas redes sociais, a ninfoplastia é uma cirurgia íntima que reduz o tamanho ou altera o formato dos pequenos lábios da vulva. Embora possa ser indicado em alguns casos de queixas de desconforto e dificuldades para higienizar a região, o procedimento é empregado principalmente para fins estéticos.
O nome da operação vem do fato de que a estrutura anatômica dos pequenos lábios pode ser chamada de ninfa.
Nos últimos anos, a popularidade da cirurgia cresceu. Como qualquer cirurgia plástica não essencial, é necessário pesar os risos e benefícios antes de decidir passar pela operação.
Vale lembrar também que há vulvas de variados tamanhos e formatos: não há um único padrão ideal ou mais bonito – deixando de lado, claro, casos em que a anatomia causa problemas de saúde.
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Como é feita a cirurgia
A ninfoplastia é realizada com anestesia geral ou local com sedação. A melhor abordagem varia de acordo com a pessoa e com a técnica usada na operação.
O procedimento em si leva de 1 a 2 horas. A recuperação inicial dura cerca de seis semanas, mas o processo de cicatrização se estende por meses.
O tecido é cortado com bisturi ou laser. A técnica pode consistir em cortar a pele que ultrapassa a linha dos grandes lábios ou em manter a borda natural do tecido, removendo a parte interna da pele.
Antes da cirurgia, é necessário fazer um check-up que inclui exames de sangue e de urina. Como a operação é muito buscada por questões de autoestima, um acompanhamento com psicólogo pode ser indicado previamente.
Quando a ninfoplastia é indicada?
A cirurgia pode ser recomendada para casos de hipertrofia ou assimetria dos pequenos lábios. Os pequenos lábios fazem parte da vulva e são dobras de tecidos de mucosa na parte exterior da genitália. A função é proteger a vagina e a uretra. Essas estruturas também ajudam a manter a lubrificação e o pH da região.
Uma variedade de motivos pode causar um crescimento no tamanho dos pequenos lábios: a própria puberdade, a gravidez e o parto. Mudanças no peso corporal e genética também influenciam. A menopausa e alterações hormonais podem modificar o aspecto do tecido, tornando-o mais fino.
Em algumas situações, pode haver indicação médica, quando o excesso de pele gera irritação durante exercícios físicos ou relações sexuais. Se há um câncer na vulva que se espalhou, a cirurgia também pode ser necessária. A cirurgia íntima só está disponível no Sistema Único de Saúde nesses casos, quando há uma razão clínica que justifique a operação.
Outros motivos são a dificuldade de higienizar o local, o que pode levar a infecções do trato urinário.
Benefícios e riscos
As principais vantagens da cirurgia são as melhorias relacionadas à autoestima. Quando a razão para a ninfoplastia é clínica, a intervenção também beneficia o estado de saúde.
O procedimento não altera funções biológicas da genitália, mas pode reduzir a sensibilidade da vulva. Alguns riscos da ninfoplastia são infecções e hemorragia, possibilidades em qualquer cirurgia. O pós-operatório gera sangramentos, inchaço e dor local. Compressas de gelo e analgésicos ajudam a combater a dor. Outra dica é usar roupas folgadas e evitar sentar diretamente sobre o local nos primeiros dias.
Após a cirurgia, é preciso manter a vulva higienizada e evitar sexo e atividades físicas intensas durante 6 semanas. O inchaço mais significativo costuma diminuir nesse período, mas apenas após alguns meses o resultado final é alcançado.
Mais um risco é a redução excessivo do tecido, que pode levar ao ressecamento vaginal crônico e a dor durante o sexo. Embora seja considerado seguro, o procedimento não é reversível. O mais indicado é buscar um cirurgião especializado na operação.
A decisão de realizar a ninfoplastia deve ser baseada em uma avaliação médica e pessoal cuidadosa.