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Nova variante do Mpox: o que se sabe sobre vírus confirmado pela OMS?

Dois casos foram identificados no Reino Unido e na Índia, mas quadros foram leves, semelhantes aos causados por variantes já conhecidas; risco é baixo, diz OMS

Por Layla Shasta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
19 fev 2026, 17h00 • Atualizado em 27 fev 2026, 15h19
Imagem de homem mostrando mãos com bolhas características de mpox.
Vírus da mpox pode causar bolhas e erupção na pele. (ITPS/Reprodução)
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  • A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta semana a identificação de uma nova variante do vírus do Mpox. Segundo a entidade, ela surgiu a partir de uma recombinação de dois tipos diferentes do vírus já em circulação. Este processo acontece quando cepas distintas infectam uma mesma pessoa ao mesmo tempo e trocam material genético, formando uma versão “híbrida”.

    Como destaca a OMS, a recombinação é um processo natural e já conhecido dos vírus em geral. Neste caso, a cepa surgiu da combinação dos clados (tipo de linhagens que são semelhantes entre si) chamados Ib e IIb.

    Até agora, dois casos foram registrados. O primeiro, notificado em dezembro de 2025, ocorreu no Reino Unido, em um paciente que havia viajado para o Sudeste Asiático. Já o segundo foi identificado na Índia, em um viajante que, por sua vez, retornou do Sudoeste do continente. Embora tenha ocorrido antes, o caso indiano foi reavaliado e novamente classificado somente após a identificação do episódio britânico.

    Os dois adoeceram com algumas semanas de diferença, mas foram infectados pela mesma cepa. Após análises, notou-se uma similaridade de 99,9% entre os vírus responsáveis pelos quadros. Segundo a OMS, isso sugere que podem haver no mundo mais casos do que os relatados atualmente.

    Também de acordo com a organização, nenhum dos pacientes apresentou quadros graves, mostrando sintomas semelhantes aos que são causados pelas variantes já conhecidas. Além disso, as pessoas que tiveram contato com os infectados, nos países notificados, foram rastreadas, mas nenhum outro caso foi detectado.

    Assim, com base nas informações disponíveis até o momento, a avaliação atual da OMS quanto ao risco para a saúde pública em relação à mpox permanece inalterada.

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    Segundo a entidade, o risco é avaliado como baixo para a população geral, sem fatores de risco. Mas a classificação sobe para um risco moderado entre profissionais do sexo ou outras pessoas com múltiplos parceiros sexuais casuais, especialmente quando homens que se relacionam com homens.

    +Leia também: Mpox: veja em detalhes o que a doença viral pode fazer com a pele

    Situação no Brasil

    Nesta terça-feira (17), a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre confirmou o primeiro caso de Mpox no município em 2026. Segundo a pasta, o paciente mora na capital gaúcha, mas contraiu a infecção fora do Rio Grande do Sul. Até o momento, porém, não foram divulgados o local provável de infecção nem a variante do vírus responsável pelo quadro.

    Segundo a Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS), a cepa pertencente deste caso está em análise pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Além disso, a pasta informou que os contatos próximos ao infectado foram vacinados, conforme orientação do Ministério da Saúde.

    Em 2026 o estado notificou 12 casos suspeitos. Nove foram descartados, um confirmado (o de Porto Alegre) e dois ainda em investigação.

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    Pode acontecer uma nova pandemia?

    Segundo o infectologista Álvaro Furtado Costa, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e pesquisador sobre o vírus, as próximas duas semanas poderão demonstrar se haverá aumento de casos em razão do carnaval no país. “A gente precisa observar o que vai acontecer nesse intervalo”, disse em entrevista para VEJA SAÚDE.

    Ainda assim, o risco de uma onda da doença no Brasil, neste momento, é considerado baixo. Segundo o especialista, casos isolados podem aparecer, mas, provavelmente, estarão dentro do previsto para todos os anos.

    O registro em Porto Alegre, inclusive, não é o primeiro da doença no país em 2026. No município de São Paulo, por exemplo, 18 casos haviam sido confirmados até o fim de janeiro. Também no estado paulista foi detectada uma ocorrência relacionada ao clado Ib, uma subvariante mais recente do vírus.

    Casos de Mpox ocorrem no Brasil desde 2022, quando o vírus ganhou status de emergência global de saúde, após se espalhar para mais de 100 países. O território nacional foi um dos que apresentou o maior número de casos naquele momento.

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    O decreto de urgência internacional, porém, foi encerrado em maio de 2023, embora casos esporádicos continuem a surgir em outros territórios.

    “O clado II aparece uma vez ou outra, sem significar algo que deve gerar medo na população”, explicou Costa. “Mesmo se for clado 1, o que tem a ser feito é, basicamente, isolar o paciente. Depois de duas a três semanas, ele já não transmite mais nada”, completa.

    +Leia também: Porto Alegre confirma caso de Mpox: Carnaval pode impulsionar a transmissão?

    A doença

    A mpox é causada por um vírus da família Orthopoxvirus, a mesma da antiga varíola humana. Esse vírus é dividido em dois grandes grupos genéticos, chamados clado I e clado II — uma forma que os cientistas usam para organizar variantes com pequenas diferenças no material genético.

    Há, ainda, os subtipos Ia e Ib — descobertos em 2023 —, além de IIa e IIb. A novidade é que, agora, foram notificados dois casos de uma cepa originada da combinação entre os clados Ib e IIb.

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    Em 2022, o clado IIb foi responsável por um surto que se espalhou por vários países fora da África, algo incomum até então. Já o clado Ib é apontado como possivelmente mais grave, mas esta indicação tem sido revisada por cientistas.

    A transmissão da doença acontece principalmente pelo contato físico próximo com fluídos de uma pessoa infectada, inclusive durante relações sexuais. Também pode ocorrer pelo contato com objetos contaminados, por gotículas respiratórias em situações específicas e, mais raramente, da mãe para o bebê durante a gestação.

    Historicamente, a Mpox era mais comum em regiões da África, onde o vírus podia passar de animais silvestres para humanos. Hoje, fora dessas áreas, a maioria dos casos ocorre por transmissão entre pessoas.

    Os sintomas mais comuns são febre, ínguas (caroços doloridos no pescoço, axilas ou virilha) e feridas na pele ou nas mucosas, que podem lembrar catapora ou herpes, sobretudo quando aparecem na região genital.

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    Mas, em alguns casos, a pessoa adoecida pode ter poucos sinais ou até não perceber que está infectada. Segundo a OMS, ainda não está totalmente claro quanto essas infecções sem sintomas ajudam a espalhar o vírus.

    Mpox: tudo o que você precisa saber

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