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O novo coronavírus pode ser transmitido pelo cocô?

Uma nova pesquisa reforça a teoria da transmissão via aerossol fecal. Entenda essa história e descubra se é preciso se preocupar

Por Maria Tereza Santos
23 set 2020, 20h05 • Atualizado em 3 fev 2021, 12h47
coronavírus transmissão fecal
Transmissão de coronavírus por aerossóis fecais é alvo de pesquisas (Ilustração: Marcus Penna/SAÚDE é Vital)
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  • Não é de hoje que os cientistas sabem que o novo coronavírus está presente nas fezes de indivíduos que desenvolveram a Covid-19. Essa confirmação aconteceu em uma pesquisa publicada em fevereiro no renomado periódico científico Jama.

    “Também foi determinado que é possível encontrar o genoma do vírus no esgoto”, complementa Fernando Rosado Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV) e professor da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul. Esse fato foi registrado em vários países, inclusive no Brasil.

    Mas será que a presença do Sars-CoV-2 nas fezes pode, de alguma maneira, favorecer a sua transmissão a indivíduos saudáveis? Afinal, o ato de dar descarga é capaz de espalhar partículas pelo ar – o chamado aerossol fecal.

    Pois pesquisadores da Universidade de Hong Kong, na China, colocaram à prova essa suspeita – que já tinha sido aventada por outras análises. Eles investigaram nove casos em um prédio domiciliar na cidade de Guangzhou, no início de 2020. As infecções ocorreram entre 26 de janeiro e 13 de fevereiro de 2020, período de intenso isolamento social.

    Inicialmente, havia uma família infectada – os três parentes tinham acabado de voltar de Wuhan, cidade onde a pandemia começou. Dias depois de testarem positivo para o coronavírus, mais seis casos foram identificados em outras duas famílias do prédio. Dessa vez, porém, os indivíduos não possuíam histórico de viagem. Detalhe: os três apartamentos ficavam no mesmo andar e compartilhavam os sistemas de drenagem e ventilação.

    Para entender a raiz do surto, os cientistas testaram os 202 moradores do prédio e os 24 funcionários da administração. Também verificaram 237 amostras de superfícies e ar de 11 dos 83 apartamentos, áreas públicas e sistemas de drenagem. Para completar, utilizaram a técnica do gás traçador, um método que identifica rupturas nesse tipo de estrutura.

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    Após todas essas análises, os resultados sugerem que os aerossóis gerados na descarga do vaso sanitário da família que veio de Wuhan foram os responsáveis pelas infecções identificadas posteriormente. A teoria é de que as partículas chegaram aos outros apartamentos pelas chaminés e aberturas de drenagem.

    No entanto, a conclusão é puramente circunstancial, já que não se trata de um estudo controlado. Os próprios autores apontam que essa é apenas uma possibilidade.

    Evidências anteriores

    Na época do surto de Sars, causada por um outro coronavírus, em 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS) documentou a transmissão da doença em um prédio de 50 andares, em Hong Kong. Foram confirmados 342 casos e 42 mortes. O relatório da entidade citou defeitos no sistema de encanamento, o que facilitaria o transporte de gotículas carregadas de vírus, mas também não chegou a nenhuma conclusão.

    Afinal, é para ficar preocupado?

    De acordo com Spilki, tudo indica que, se houver transmissão fecal, trata-se de um evento raro e possibilitado por situações bem específicas.

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    “Seria necessário um prédio com muitos pacientes e uma drenagem bastante deficitária que permitisse uma quantidade de partículas altas dentro do sistema, além de banheiros mal ventilados”, enumera o presidente da SBV.

    Ainda assim, os pesquisadores que apuram essa via de contágio destacam a necessidade de mais trabalhos para estabelecer uma conclusão definitiva.

    Até porque não podemos ignorar o fato de que uma parcela significativa da população vive em áreas sem saneamento básico e com esgoto a céu aberto. Sem falar nos funcionários de estações de tratamento. “Esses profissionais estão em contato direto com os tanques de aeração, que jogam a água residuária e formam aerossóis”, relata o Spilki.

    O professor participou de um estudo assinado pelas universidades do Texas, nos Estados Unidos, e Feevale e Federal do Paraná (UFPR), no Brasil, que identificou um risco elevado para esses trabalhadores caso essa forma de transmissão de coronavírus se confirme.

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    “Mas, por enquanto, não é possível garantir que essa seja uma forma relevante de disseminação. A transmissão via respiratória é bem mais significativa”, arremata o virologista. Por isso, o crucial ainda é focar nas medidas de prevenção clássicas: uso de máscara, distanciamento social e higienização das mãos.

    Por fim, independentemente de o aerossol fecal contribuir para a Covid-19 ou não, lembre-se de fechar a tampa da privada antes de dar descarga. “Essa via de contaminação é confirmada para outras doenças”, finaliza o professor.

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