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Refluxo gastroesofágico: entenda o problema e suas origens

Intensidade e frequência do refluxo ajudam a determinar se é apenas fenômeno comum ou sinal de doenças gástricas

Por Clarice Sena 3 nov 2024, 07h55
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Refluxo tem tratamento e não precisa envolver cirurgia, mas é bom começar cedo se o seu caso é recorrente (8photo/Freepik)
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O refluxo gastroesofágico, também chamado de refluxo fisiológico, é um fenômeno comum em pessoas de todas as idades, no qual acontece um retorno espontâneo de gases, líquidos ou sólidos do estômago para o esôfago e, eventualmente, até a boca.

Esse retorno pode ocorrer em alguns momentos do dia, principalmente após as refeições, sem que isso necessariaemente caracterize um problema grave. O refluxo também é comum nos bebês devido a vulnerabilidade dos tecidos na transição entre o estômago e o esôfago, mas com o crescimento da criança tende a desaparecer.

Quando o problema é intenso e recorrente, porém, é necessário atenção médica. Sem o tratamento adequado, o refluxo gastroesofágico é um fator de risco para o câncer de esôfago.

O que é o refluxo

Normalmente, após a mastigação, os alimentos passam pela faringe e pelo esôfago até caírem no estômago.

Entre esses dois existe uma válvula que se abre para a passagem dos alimentos e se fecha para impedir o contato entre o suco gástrico e o esôfago, que não possui proteção para a substância. Quando essa válvula apresenta alguma falha, o material que estava no estômago retorna e, devido a acidez do suco gástrico, provoca irritações.

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Quando o conteúdo estomacal atinge a mucosa do esôfago, pode provocar feridas e inflamações, levando a outros problemas, como a esofagite de refluxo. A acidez do suco gástrico também pode alterar as células do revestimento no esôfago, dando origem ao chamado esôfago de Barrett e até a tumores malignos.

+Leia também: Refluxo tem conserto

Por isso, se o refluxo acontece de forma frequente e é acompanhado de outros sintomas como azia e dor torácica intensas, pode ser um caso da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), um dos problemas gastroenterológicos mais comuns e que, no entanto, pode limitar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Quais os sintomas do refluxo e como é o diagnóstico?

O diagnóstico da DRGE acontece a partir do relato do paciente ao gastroenterologista. Para diferenciar o refluxo comum do refluxo patológico que caracteriza a DRGE, a duração e a frequência dos sintomas devem ser observados. Se os pacientes apresentam refluxo pelo menos duas vezes por semana há um mês, é possível que sejam portadores da doença.

Os sintomas que acompanham o refluxo nestes casos incluem tosse crônica, a sensação de algo preso na garganta, dificuldade de engolir alimentos, emagrecimento repentino, vômitos, azia ou queimação e dores intensas no peito.

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Em geral, são feitos exames para um diagnóstico definitivo, como endoscopia, radiografia com contraste (para identificar se a causa do refluxo se deve a presença de uma hérnia) e a pHmetria, para medir a acidez do conteúdo envolvido no refluxo.

Como evitar e tratar o refluxo

Após o diagnóstico, o especialista definirá se o paciente apresenta o refluxo comum, que pode ser tratado com medidas simples, ou se é necessária uma intervenção com medicamentos ou cirurgia. Esta só é indicada em último caso, quando o paciente não reage bem ao tratamento clínico ou já tiver desenvolvido complicações.

+Leia também: Refluxo gastroesofágico: cirurgia é a solução?

De modo geral, para prevenir o refluxo deve-se evitar consumir grandes volumes de alimentos, especialmente fritos, gordurosos e cítricos, líquidos muito quentes e com altas concentrações de cafeína. Também é recomendado evitar ingerir líquidos com os alimentos e deitar nas duas horas após as refeições.

Um dos principais fatores para o desenvolvimento do refluxo é o sobrepeso ou a obesidade, por isso, outra medida preventiva é a redução do peso corporal.

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Os tratamentos clínicos incluem medicamentos que diminuem a produção de ácido no estômago e auxiliam na movimentação do esôfago para conduzir os alimentos durante a digestão. A necessidade de métodos mais invasivos deve ser avaliada pelo médico com base nas características do quadro e na resposta às abordagens já utilizadas.

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