Salve-se quem puder se informar direito
Nova edição de VEJA SAÚDE desmistifica o que está por trás do movimento que questiona o uso do protetor solar
Durante muito tempo, nós, jornalistas, nos arvoramos do privilégio de ditar o que era notícia ou assunto importante para a sociedade.
Recortávamos da realidade acontecimentos e fenômenos que julgávamos decisivos, curiosos ou polêmicos e, apurando com as fontes (documentos, estudos, autoridades…), entregávamos uma versão da história no tempo presente, editando e hierarquizando fatos, explicações e pontos de vista e buscando uma sonhada objetividade.
Seguimos nessa missão — pois é assim que se faz jornalismo profissional —, mas aquela dinâmica foi virada de cabeça para baixo. Com a popularização das redes sociais, outros atores e engrenagens subiram no palco da opinião pública.
Hoje pessoas “comuns” postam vídeos que viralizam e viram notícia. Algoritmos regem a entrega dos conteúdos nos celulares. Influenciadores se sobrepõem a especialistas distribuindo posts, stories e recomendações. E é assim que as ideias circulam depois no WhatsApp e no boca a boca.
Circulam em alta velocidade, cobrando de nós, repórteres e editores, celeridade para compreender e checar os fatos. Sim, a lógica, de certo modo, se inverteu. E passamos a correr contra o tempo e em meio a pessoas que nem sempre se pautam pela ética para fazer nosso trabalho e tentar estabelecer uma versão da história no tempo presente amparada em dados, provas, testemunhos…
A pandemia de covid-19 só catapultou essa tendência, e, não à toa, foi a partir daí que emergiram os serviços de checagem. Afinal, nas redes, nos blogs e nas mensagens fala-se o que se quer, do jeito que bem se entender. E é nesse ambiente de inúmeras vozes, achismos, interesses escusos e vontade de aparecer e lucrar que brotam movimentos que escapam das dimensões das telas.
O caso mais chocante e crescente é o da rejeição aos protetores solares. Um elemento sobre o qual mal se pairavam dúvidas tornou-se o novo bode expiatório. A ponto de alguns influencers (e até profissionais de saúde) propagarem que, em vez de prevenir, ele causaria câncer de pele.
É um não tão admirável mundo novo, mas, goste-se dele ou não, teremos de aprender a navegá-lo. E podemos fazer isso mantendo vivas as premissas do jornalismo profissional, do rigor e da transparência. A reportagem de capa desta edição, assinada por Ingrid Luisa, pretende desmascarar, de uma vez por todas, a controvérsia sobre os filtros solares.
Um exemplo bem-acabado de um dos nossos maiores propósitos neste ano que se encerra e nos próximos que virão: fazer diferença na sua vida — e para toda a sociedade.







