Brasil inclui teste rápido para dengue na tabela SUS; veja como funciona
Exame identifica proteína do vírus da dengue no sangue de pessoas infectadas ainda nos primeiros dias de sintomas
O Ministério da Saúde publicou, nesta sexta-feira (26), uma portaria que inclui o teste rápido para diagnóstico de dengue na tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS). O exame é capaz de identificar a doença entre o primeiro e o quinto dia do início dos sintomas.
A tabela é um catálogo que reúne todos os serviços disponíveis na rede pública e organiza como eles devem ser registrados, realizados e financiados. Conforme informa a pasta, a aquisição e distribuição desses insumos já era realizada, mas agora integra a lista de referência que define o que é coberto pelo sistema e quanto cada procedimento custa para ser realizado.
Como funciona o teste
O exame incluído, chamado teste de antígeno NS1, funciona detectando uma proteína presente nos quatro tipos do vírus da dengue, chamada, justamente, de NS1 (antígeno não estrutural 1).
Essa proteína circula no sangue da pessoa infectada principalmente nos primeiros dias da contaminação, quando o vírus ainda está se multiplicando ativamente no organismo.
Por isso, o teste é considerado uma ferramenta útil para o diagnóstico e tratamento precoce da doença.
A desvantagem é que, em comparação com exames mais sofisticados, como os de biologia molecular, o teste rápido pode ter menor sensibilidade e especificidade. Assim, a chance de resultados falso-negativos não pode ser descartada, como explica uma nota técnica do Ministério da Saúde.
Como é feito o exame
O teste é feito com uma amostra de sangue do paciente, que ser obtida por punção venosa ou mesmo por um pequeno furo no dedo. A coleta é aplicada em um dispositivo com conta-gotas e, entre 15 e 30 minutos, o resultado fica pronto.
Esse procedimento poderá ser feito tanto em atendimentos hospitalares quanto ambulatoriais, como em unidades básicas de saúde (UBSs). Ele está disponível para pessoas de todas as idades.
Além disso, diversos profissionais de saúde estão autorizados a realizar o exame, como médicos clínicos e infectologistas, enfermeiros, farmacêuticos, biomédicos, biólogos e técnicos de enfermagem.
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Importância e cuidados no diagnóstico precoce
Para conter o avanço da dengue, além das medidas amplamente difundidas – como a eliminação de criadouros do Aedes aegypti – e a vacinação da população, uma importante aliada é a testagem rápida e precisa.
Em ambiente laboratorial, a infecção é detectada a partir de diferentes métodos. Um se chama teste molecular, que busca o genoma do vírus em uma amostra e indicar até o sorotipo viral envolvido. E outras duas técnicas são as pesquisas de antígenos e de anticorpos.
Diferentemente das estratégias citadas anteriormente, os testes rápidos são de simples execução e não requerem a mesma estrutura. Eles podem ser feitos em unidades de saúde comuns e são realizados em farmácias. Por isso, eles tornam a detecção precoce da doença mais acessível.
Ainda assim, como visto, existem ressalvas. Para a VEJA SAÚDE, a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML) já destacou que seguir as diretrizes técnicas na realização dos testes é imprescindível para evitar possíveis erros.
“O teste rápido oferece resultados em até 30 minutos, permitindo uma resposta ágil. No entanto, sua aplicação deve ser restrita a locais autorizados, para evitar diagnósticos equivocados”, afirmou, para reportagem, Paula Távora, médica especialista em patologia clínica e medicina laboratorial, membro titular e líder do Comitê de Testes Laboratoriais Remotos e ex-presidente da SBPC/ML.
A especialista defende que o exame deve ser feito apenas em pessoas com sintomas e em unidades de saúde. Além disso, segundo ela, quando o teste rápido dá positivo, vale a pena confirmar o diagnóstico com outros exames.
E, se der negativo, mas os sintomas forem muito sugestivos de dengue, o médico também deve buscar uma confirmação.
“Por isso, existe a preocupação dos testes rápidos serem realizados em larga escala e sem um controle clínico-laboratorial adequado. Eles são uma oportunidade de descentralizar a assistência e auxiliar a população, mas é preciso ter cuidados”, pontuou Paula.
Garantidas as devidas precauções, é fato que, como os sintomas da dengue podem ser similares aos de outras doenças febris, a distinção somente com base na avaliação dos primeiros sinais clínicos é difícil.
Por isso, identificar o mais cedo possível qual o vírus envolvido permite uma tomada de decisão assertiva, que contribui tanto com o tratamento do paciente, quanto com o controle epidemiológico.





