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Transplante de cocô é eficaz e econômico para tratar infecções intestinais

Estudo revela que esse procedimento nada convencional é uma opção boa e mais barata que antibióticos para combater uma infecção intestinal grave

Por Maria Tereza Santos
7 Maio 2019, 13h50 •
o que é bom para infecção intestinal
Estudo mostra que tratar infecção intestinal com transplante de fezes tem melhor custo-benefício que usar antibióticos. (Ilustração: Marcus Penna/SAÚDE é Vital)
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  • Apesar de causar um misto de nojo e vontade de rir, o transplante fecal é assunto sério para a ciência. Se estudos anteriores já mostraram que a técnica é eficaz contra a infecção da bactéria Clostridium difficile, que ataca o intestino e causa diarreia, dores, sangramento e até morte, um novo trabalho da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, constatou que ela também reduz custos hospitalares quando comparada ao tratamento à base de antibióticos.

    O transplante fecal consiste em retirar o cocô de um doador saudável e, após todo um trabalho no laboratório, reinserir parte desse material no intestino de um receptor. A ideia é repovoar o órgão com bactérias do bem, capazes de debelar micro-organismos nocivos.

    A primeira opção de tratamento contra a tal Clostridium difficile são os antibióticos. Infelizmente, eles nem sempre solucionam o problema e, para piorar, devastam a microbiota natural do intestino. Isso favorece mais infecções oportunistas e um monte de sintomas desagradáveis.

    Como opção, os médicos recorrem ao transplante de fezes justamente para que bactérias benéficas tomem conta da situação. Em outras palavras, o método entra em cena nos casos mais graves, em que a infecção intestinal é recorrente.

    Ocorre que, até então, nenhuma pesquisa havia contabilizado seu custo-benefício. Por isso, os experts dinamarqueses analisaram os gastos do tratamento à base de antibióticos e os do transplante fecal em 50 pacientes de um hospital universitário público.

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    Entraram na conta a triagem dos “doadores de cocô” – só quem anda muito saudável está apto, assim por dizer –, o processamento laboratorial, a aplicação clínica da técnica, o tempo de internação… Todas as despesas foram checadas entre 2014 e 2015, sempre um ano antes e um depois do transplante.

    Após a análise, os cientistas concluíram que o custo por paciente caiu de 63 300 dólares para 36 800, uma economia de 42%. No total, o hospital poupou 1,2 milhão de dólares.

    “Nosso estudo indica que, em média, cada paciente evitou 17 dias no hospital no primeiro ano após o transplante. De 37 dias, passaram a ficar hospitalizados por apenas 20 dias ao ano”, complementa o gastroenterologista Christian Lodberg Hvas, professor da instituição e líder da pesquisa, em comunicado à imprensa.

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    De acordo com Hvas, a introdução de novos tratamentos geralmente aumenta os gastos, mas o transplante fecal é uma exceção. “Se pudermos estabelecer um sistema de proteção tanto para os pacientes quanto aos doadores, alcançaremos um grande benefício para todos. E estamos no caminho para fazer isso”, conclui.

    No Brasil, a técnica é oferecida pelo Sistema Único de Saúde e na rede privada.

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