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Piromania: existe tratamento para a fixação pelo fogo?

Transtorno caracterizado pelo desejo incontrolável de atear foto não tem causa delimitada e é um diagnóstico incomum

Por Gabriel Bortulini
17 dez 2025, 20h46 •
Fósforos queimando em um fundo preto
Ter provocado mais de um incêndio deliberadamente é critério diagnóstico da piromania (Freepik/Freepik)
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  • A piromania é o raro diagnóstico psiquiátrico atribuído a pessoas aficionadas em atear fogo. Essa fixação inclui desde o intenso desejo de queimar objetos até o de provocar incêndios de grandes proporções.

    De maneira geral, quem sofre de piromania tende a utilizar o fogo como meio de aliviar para outros sintomas psíquicos decorrentes de depressão, ansiedade ou estresse. Embora indivíduos piromaníacos possam ocasionar incêndios criminosos, quem sofre do transtorno não busca um benefício particular, como lucro financeiro, nem deseja causar dano a outras pessoas ou ocultar cenas de crime.

    A única intenção é, justamente, o prazer (ou o alívio de uma angústia) por meio do fogo. A piromania é considerada, pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), guia de diagnósticos da psiquiatria, um transtorno disruptivo, do controle de impulsos e da conduta.

    Assim como na cleptomania, na piromaria há um baixo controle de impulsos associado a um comportamento específico. Ambos os diagnósticos são incomuns.

     +Leia também: O que os psiquiatras não te contam?

    Sintomas

    Pessoas piromaníacas podem sentir prazer não apenas em atear fogo, mas em todo o processo envolvido: desde o rigoroso planejamento, até o pavor das pessoas envolvidas, a ação dos bombeiros, entre outros.

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    Identificar a piromania, contudo, não costuma ser uma tarefa fácil, uma vez que piromaníacos costumam ser discretos. Os principais sintomas podem incluir:

    • Fixação e entusiasmo excessivo com tudo o que envolve fogo;
    • Necessidade incontrolável de queimar objetos;
    • Prazer em observar incêndios;
    • Sentir alívio após iniciar incêndios.

    A pessoa que sofre do transtorno costuma apresentar outros sintomas interrelacionados, como ansiedade, depressão e estresse. Aliás, a impossibilidade de atear fogo pode ser gatilho para o agravamento desses sintomas e pode tornar a pessoa irritadiça e mais disposta a criar conflitos nas relações pessoais.

     No DSM, os critérios diagnósticos para enquadrar um paciente como piromaníaco incluem:

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    • Já ter provocado um incêndio propositalmente, de forma deliberada, mais de uma vez;
    • Sentir tensão ou excitação afetiva antes de atear fogo;
    • Ter fascinação, interesse, curiosidade ou atração pelo fogo, e outros contextos associados: equipamentos, usos, consequências;
    • Sentir prazer, gratificação ou alívio ao provocar um incêndio ou testemunhar um.

    Outro critério diferencial é que o incêncio não é provocado para obter lucros ou vantagens monetárias, nem para expressar raiva ou vingança, tampouco como protesto ou forma de terrorismo. Para se caracterizar como piromania, o incêndio também não pode ser provocado para ocultar um crime ou como consequência de um delírio ou alucinação.

    Para firmar o diagnóstico, mais um critério é que o comportamento incendiário não seja explicado por outro transtorno de conduta, por um episódio de mania ou por um transtorno de personalidade antissocial.

    Causas

    As causas da piromania, assim como outros transtornos psicológicos, não são bem delimitadas. Podem, no entanto, ter origem em desregulações químicas no cérebro, como desequilíbrio de dopamina, hipoglicemia e baixos níveis de serotonina.

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    A própria prevalência da piromania é desconhecida.

    Além disso, o transtorno pode ser estar associado a relações parentais conturbadas e violentas e ao déficit de sociabilidade. Traumas também podem favorecer o surgimento do quadro.

    Diagnóstico e tratamento

    Por se tratar de um transtorno complexo, o diagnóstico pode demorar a ocorrer. Geralmente requer avaliações psicológicas e psiquiátricas. Com frequência, a piromania está associada a um transtorno de uso de álcool atual ou passado.

    O tratamento deve ser realizado por profissionais de saúde mental e pode envolver diferentes abordagens terapêuticas. Elas costumam ser aliadas ao uso de medicamentos, como ansiolíticos e antidepressivos. 

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