🔥 Mês do Cliente: Assine o Digital por R$ 9,90/mês e tenha conteúdo exclusivo na palma da sua mão!

Alimentos “zero gordura trans” na verdade podem conter a substância

Uma brecha na lei permite que uma dose da gordura mais danosa seja adicionada nos industrializados sem um alerta claro ao consumidor. Como detectá-la?

Por Chloé Pinheiro 26 jun 2019, 12h43 | Atualizado em 3 jul 2026, 18h44
o que é gordura trans
Biscoitos e bolos industrializados estão entre os produtos que podem conter gordura trans.  (Foto: Dulla/SAÚDE é Vital)
Continua após publicidade
Alimentos “zero gordura trans” na verdade podem conter a substância Priorizar nos meus resultados Google

O Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) divulgou recentemente um alerta sobre a gordura trans, a mais associada a problemas cardiovasculares e de saúde em geral. Em parceria com a Universidade de São Paulo, a entidade avaliou milhares de alimentos industrializados e concluiu que uma parte considerável contém a substância mesmo quando alega ser “zero trans” na embalagem.

Ela foi encontrada em 18,7% dos 11 mil produtos estudados, mas só 7,4% do total identificou sua presença. Portanto, menos da metade dos itens que contam com essa molécula em sua composição a acusam explicitamente no rótulo.

Entre os que declararam ser isentos do ingrediente, 11% dos salgadinhos, 9% de produtos de panificação e 8,4% dos biscoitos na verdade carregavam ao menos um pouco de gordura trans. A investigação foi feita em 2017 e o artigo científico está em revisão no momento.

Cabe destacar que essa aparente discrepância é prevista na nossa regulamentação. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), produtos com até 0,2 grama (g) de gordura trans por porção podem alegar ter 0g na tabela nutricional, aquela que informa a quantidade de cada macronutriente segundo a ingestão diária recomendada. Já os que possuem até 0,1g por porção podem dizer que são “zero” ou “não contém” o ingrediente.

A quantidade pode ser pequena, mas preocupa

A indústria alimentícia brasileira já reduziu nos últimos anos o teor de gordura trans utilizada em seus processos. Mesmo assim, ela continua sendo empregada. “Os fabricantes não estão errados, assim por dizer. Eles seguem a legislação vigente, só que as pessoas comem muito mais do que a porção indicada no rótulo”, destaca a nutricionista Regina Pereira, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

Ou seja, parece pouco que haja 0,1g de gordura trans escondida em uma bolacha, mas o problema é que essa quantia está em uma única porção, não no pacote inteiro. No caso dos biscoitos recheados, por exemplo, uma porção via de regra equivale a três unidades.

Continua após a publicidade

Além disso, outros alimentos que mastigamos durante o dia podem conter essa inimiga da saúde. Aí, de pouco em pouco, acabamos nos enchendo dela.

“A gordura trans é muito barata e amplamente utilizada em barrinhas de cereal, balas, bolachas, sorvetes, salgadinhos, margarinas e até para fazer frituras vendidas a preços baixos na rua, como as coxinhas de um real”, destaca Regina. Nesse caso, é usada por ser estável e facilmente reaproveitada.

Como esse composto não é essencial ao organismo, não existe um nível recomendado de sua ingestão. Ou seja, quanto menos, melhor.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estipula que esse ingrediente não deve responder por mais de 1% das calorias totais de uma dieta. Se o indivíduo come 2 mil calorias ao dia, poderia ingerir até 2g de gordura trans ao dia.

Continua após a publicidade

“Para ter ideia, 25 gramas de biscoito de polvilho de algumas marcas já quase atingem essa quantidade” calcula Regina.

Como então detectar a gordura trans nos alimentos?

Não é tão simples, porque a tabela nutricional pode indicar 0g – e ela não está evidente mesmo na lista de ingredientes. O jeito é ler com atenção essa relação de itens utilizados no produto, ficando de olho em termos que denunciam sua presença. Quais?

“Qualquer coisa que leve a palavra hidrogenada, independentemente de ser óleo ou gordura, é trans”, ensina a Regina. Outras palavras podem indicar a presença dela (embora nem sempre isso seja verdade). São eles: margarina, creme vegetal e gordura vegetal.

O problema da gordura trans

Existe uma versão dela encontrada naturalmente em produtos de origem animal, como carnes e leites. Contudo, trata-se de uma dose pra lá de singela (e menos problemática). Quando os especialistas mencionam os danos provocados pela trans, eles se referem à versão hidrogenada, criada pela indústria. É esse tipo que estamos abordando nesta reportagem.

Continua após a publicidade

Seu consumo está associado ao aumento do colesterol ruim, o LDL, e à redução do HDL, o bom. “A gordura trans favorece a resistência à insulina, o hormônio que coloca o açúcar dentro das células, o que pode levar ao diabetes tipo 2”, ressalta Regina. “Ela ainda estimula a produção de agentes inflamatórios, que causam problemas cardiovasculares”, enumera.

Segundo a OMS, aproximadamente 540 mil mortes por ano no mundo são atribuídas ao consumo exagerado de gorduras trans industrialmente processadas.

Uma preocupação global

A Organização Mundial da Saúde tem como meta eliminar as gorduras trans da indústria alimentícia até 2023. Em maio de 2019, a entidade lançou um alerta sobre o assunto. Segundo a OMS, 110 países ainda não tomaram qualquer atitude para ao menos reduzir a concentração desse composto nas comidas processadas, o que deixa mais de 5 bilhões de pessoas expostas aos perigos de seu excesso.

Dinamarca, Estados Unidos, Chile e Tailândia estão entre as nações que já adotaram políticas que restringem ou banem de vez a trans das fábricas. Alguns desses locais já parecem sentir na prática a redução das mortes por doenças cardiovasculares.

No Brasil, a Anvisa discute atualmente formas de coibir o uso e pode em breve realizar uma audiência pública sobre o tema.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo uma página de notícias com imagens de produtos e um ícone de árvore verde ao ladoMão segurando um smartphone branco com a tela exibindo um aplicativo de notícias, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

Sua saúde merece prioridade!
Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).