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Chá de coca: a bebida dos Andes que ajuda a enfrentar a altitude

Infusão feita com as folhas da coca é consumida há milênios por suposto potencial estimulante. Planta é matéria-prima da cocaína, mas não traz riscos da droga

Por Maurício Brum 14 jan 2026, 09h03 | Atualizado em 5 jun 2026, 08h35
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Chá é feito com a infusão das folhas de coca (audrey_sel/Wikimedia Commons)
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Muito estigmatizada por ser a matéria-prima da cocaína, a coca é uma planta nativa das regiões andinas, com uma enorme importância cultural, medicinal e econômica para os povos originários que a descobriram milênios atrás nessa parte da América do Sul.

Quem visita países como a Bolívia e o Peru pode ser incentivado a mastigar as folhas da coca ou, então, convidado a provar o chá de coca.

A bebida é um poderoso estimulante que também é utilizado como uma forma de combater os efeitos da altitude, uma realidade inescapável nas regiões mais elevadas da cordilheira.

E vale desfazer qualquer mal-entendido logo de cara: a planta com a qual se faz o chá tem concentrações muitíssimo menores das substâncias que tornam a droga nociva, e não causam o mesmo impacto deletério à saúde.

Para que serve o chá de coca?

O grande uso tradicional do chá de coca se deve ao potencial estimulante. A infusão é feita com as folhas da Erythroxylum coca, nome científico dessa espécie, e promete render efeitos semelhantes àqueles obtidos pela simples mastigação das próprias folhas.

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Substâncias presentes na planta seriam capazes de aliviar temporariamente uma série de desconfortos, como a dor, o cansaço ou a fome.

Esse combo de bem-estar também impactaria na forma como o corpo enfrenta o “soroche”, nome dado por alguns povos andinos à indisposição geral ocasionada pelo ar rarefeito.

É importante observar que a comprovação científica desses benefícios (ou seu modo de ação) ainda é controversa.

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Alguns trabalhos até sugerem que todo o poder do chá de coca diante dos efeitos da altitude seria, principalmente, um placebo.

Em qualquer cenário, muita gente garante que ele funciona – e não é casualidade que tanto os nativos da cordilheira quanto montanhistas tentando um pouco mais de resistência seguem recorrendo à planta.

O chá não tem o efeito da droga!

Toda a má-fama que a cocaína emprestou à coca não se justifica no mundo real. Aqui, vale entender o que de fato é a droga, e qual sua relação com a planta: a cocaína é um alcaloide presente em quantidades muito pequenas nas folhas de coca.

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Alcaloides, por sua vez, são compostos existentes em vegetais que podem ser isolados em laboratório e, em alguns casos, são estimulantes e viciantes: além da cocaína, casos bem conhecidos incluem a nicotina e a cafeína.

A questão é que, na natureza, a concentração de cocaína nas folhas de coca é realmente muito baixa: dependendo da espécie, ela sequer ultrapassa 0,2%.

Na prática, seus efeitos psicoativos não são sentidos pelo consumo da folha, seja mascando ou na forma de chá.

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A maneira de fazer a droga que conhecemos como cocaína é utilizando uma série de processos químicos que isolam esse alcaloide das outras substâncias da folha, aumentando sua concentração a níveis perigosos – que geram dependência química e podem até matar.

Mas essas técnicas só surgiram no século 19 e não têm qualquer relação com as formas milenares de consumo da planta, o que inclui o chá de coca.

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