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Carnaval: o manual para resistir até o último bloco e evitar doenças

Quais roupas usar, como se hidratar, o que fazer em nome do sexo seguro... Veja um guia para curtir o Carnaval com disposição e sem riscos à saúde

Por Cristiane Bomfim (Agência Einstein) 19 fev 2020, 17h09 | Atualizado em 28 fev 2023, 17h19
carnaval como evitar problemas de saude
A hora da folia está chegando! (Foto: Pedro Rubens/SAÚDE é Vital)
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Muitas vezes, o Carnaval é sinônimo de longas caminhadas nos sambódromos ou atrás de bloquinhos, exposição a altas temperaturas e chuvas de verão, alimentação desregrada, dificuldade de hidratação, consumo de álcool e pouco sono. Mas há como lidar com esses pontos para não perder a folia e nem a saúde? Confira:

Roupas e calçados confortáveis e leves

Lembre-se que você vai ficar muito tempo em pé. Diga não aos saltos e aos sapatos apertados. O calçado ideal é o do seu tamanho e com palmilha de proteção, como os tênis.

Para evitar lesões musculares e dor, tente descansar 15 minutos a cada duas horas. Se possível, faça alongamentos antes de sair de casa”, orienta o médico intensivista e clínico geral Leonardo José Rolim Ferraz, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Quanto às fantasias, deixe de lado as muito quentes e pesadas.

Como se proteger do sol no Carnaval

Abuse do uso de filtro solar, principalmente em áreas como rosto, pescoço, orelhas e pés. A reaplicação deve ocorrer, no máximo, a cada quatro horas, mesmo em dias nublados.

As chamadas barreiras físicas (bonés, viseira e óculos de sol) também são recomendadas para evitar queimaduras e diminuir o risco de insolação, uma exposição excessiva que provoca desidratação, indisposição e muito mal-estar.

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Tome bastante água

Manter-se hidratado é imprescindível para que o corpo funcione bem e mantenha o pique, especialmente em períodos de excessos. É a água que garante a oxigenação dos órgãos, a eliminação de substâncias tóxicas — principalmente por meio da urina — e o transporte de nutrientes pelo organismo, já que é componente do plasma sanguíneo.

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“Na prática, quando não ingerimos uma quantidade adequada de água, estamos diminuindo a capacidade de oxigenar os tecidos do corpo. Em casos extremos, podemos comprometer a função de órgãos como o rim e o coração”, explica o médico do Einstein.

Sintomas da desidratação: os mais óbvios são a sede e a urina escura. O porém é que nem sempre os sinais são claros — idosos, por exemplo, podem ter esses mecanismos comprometidos.

Além disso, a ingestão de outros líquidos, como refrigerantes, cerveja e destilados, engana o folião. Pele ressecada, fraqueza, tontura e dor de cabeça são outros indicativos.

“Tome água sempre que possível. Além de manter organismo funcionando, o líquido reduz os sintomas da ressaca”, pondera o clínico geral.

Tenha uma alimentação leve

Comer em casa antes de sair para a folia é sempre a melhor opção, uma vez que há controle da procedência dos ingredientes e armazenamento. Outra dica é evitar gordura, frituras e pratos pesados, que têm digestão mais lenta no organismo.

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“O processo de digestão gasta energia e o folião vai precisar dela para pular o Carnaval”, explica o médico do Einstein. Dê preferência a alimentos leves, como saladas, carne grelhadas e frutas. Na rua, compre alimentos de estabelecimentos conhecidos e fuja de qualquer opção crua para evitar a intoxicação alimentar.

Não dá pra escapar: modere no álcool

A melhor forma de evitar ressaca no dia seguinte é não exagerar e intercalar a bebida alcoólica com água. O limite diário estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para ingestão de álcool é de 30 gramas.

Bebida (dose) Quantidade de álcool na bebida
1 lata de cerveja 17 gramas
1 copo de chope 10 gramas
1 taça de vinho 10 gramas
1 dose de destilado (uísque, cachaça ou vodca) 25 gramas

No entanto, fatores como gordura corporal, sexo (mulheres são mais sensíveis) e uso de remédios afetam o impacto do álcool no organismo. Ou seja, é importante conhecer o próprio corpo.

Um mito sobre o álcool: é dito que ele evapora no calor. Mentira! “Quando você toma muita cerveja, por exemplo, vai mais vezes ao banheiro e elimina água. E, no suor, o que perdemos é água, não álcool”, esclarece Rolim Ferraz. O consumo de bebidas em excesso na realidade desidrata o corpo.

E uma verdade: a ressaca de álcool é agravada pelo tabagismo. Um estudo realizado pela Universidade Brown, nos Estados Unidos, com 113 universitários mostrou que fumar tende a aumentar o consumo de bebida alcoólica e intensifica sintomas como náuseas, dor de cabeça e fadiga no dia seguinte. “Ter ressaca nunca é uma boa ideia. Em curto prazo, ela interfere em habilidades como atenção e reflexos e prejudica o desempenho de atividades intelectuais”, diz o médico.

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Quando você passa do ponto: a fala mole e enrolada e o desequilíbrio são sintomas comuns do consumo exagerado de cerveja e afins. Nessa situação, descansar e se hidratar é a melhor solução.

“Minha recomendação é só comer alguma coisa quando estiver melhor para não correr o risco de vomitar”, preconiza o clínico geral do Einstein. Um médico deve ser procurado se houver desmaio ou perda da consciência.

E nada de dirigir! “O Brasil é um dos países com maior taxa de acidentes de trânsito relacionados com bebida. O indivíduo coloca em risco a vida dele e de outras pessoas”, adverte Rolim Ferraz.

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Sexo protegido

Uma proposta: sempre ande com uma camisinha, seja ela feminina ou masculina. Calor, festas, música, bebida e alegria podem favorecer relações sexuais — e é bom sempre estar prevenido. Estima-se que, após o Carnaval, a procura por testes de gravidez cresça 15%.

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“Mais do que evitar a gravidez, o uso de preservativo protege contra doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis e aids”, reforça Rolim Ferraz.

Para ter uma ideia, a OMS calcula que 376 milhões de pessoas no mundo têm alguma infecção sexualmente transmissível curável, a exemplo de clamídia e gonorreia. No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, entre 2010 e junho de 2019, foram notificados 650 258 casos de sífilis adquirida.

Cuidado com a mononucleose (doença do beijo)

Assim como a gripe e o resfriado, a mononucleose é transmitida pela saliva durante o beijo ou por gotículas que são liberadas ao falarmos, tossirmos ou espirrarmos. Causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), a doença do beijo tem como principais sintomas febre alta, dor de garganta e aumento dos gânglios, que começam a aparecer entre quatro e seis dias após a infecção.

Se você apresenta sinais de mononucleose ou de qualquer outra doença infectocontagiosa, evite aglomerações para não espalhar o problema. Cubra a boca quando tossir ou o nariz quando espirrar. E use álcool gel.

Este conteúdo foi produzido pela Agência Einstein.

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