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Boca Livre

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Esse é o blog de Patricia Julianelli, jornalista especialista em nutrição, esporte e qualidade de vida, além de apaixonada por comida e corrida de rua. Ela é autora do livro "Boca Livre - Comida e Boa Forma com Prazer e sem Neura" e apresentadora do quadro "Saúde em Movimento", da rádio CBN

Santa pausa! Por que você devia se sentar mais à mesa

Hábito melhora a relação com a comida, amplia a conexão com quem a gente ama e ainda traz vantagens à saúde

Por Patricia Julianelli 14 ago 2023, 18h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 23h43
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Foco na mesa e na comida: atitude faz bem ao corpo e à mente. (Ilustração: Veja Saúde/SAÚDE é Vital)
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Santa pausa! Por que você devia se sentar mais à mesa Priorizar nos meus resultados Google

Já ouviu falar na sigla ESAON? De estacionar, sentar, alimentar, orientar, navegar. Desconhecida por mim até outro dia, é uma regra do exército para sobrevivência na selva. A ideia é seguir essas orientações, nessa ordem, caso você se perca numa trilha ou numa floresta.

Estacionar para evitar deslocamentos desnecessários e facilitar a localização. Sentar para poupar energia, cuidar da saúde e manter a calma. Alimentar-se para nutrir o corpo. Já orientar seria decidir em que direção seguir. E, navegar, seguir o rumo escolhido.

Táticas de sobrevivência na selva passam longe dos meus assuntos preferidos. Aliás, acredito que não há vencedores em nenhum tipo de combate e abomino qualquer forma de violência. Mas uma parte dessa regra falou demais comigo: estacionar, sentar e alimentar.

Alimentação com atenção plena. Você parar tudo que está fazendo, sentar-se à mesa, servir-se e comer. Com calma, sem distrações. É algo relativamente simples de fazer e as vantagens são muitas, mas eu destacaria três:

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1. Você valoriza a comida. E cria uma relação mais positiva com ela. Afinal, a gente não é só o que come, mas também como come. Ao comer com calma e apreciar a aparência, o aroma, a textura dos alimentos, você consegue estimular seus cinco sentidos e ter mais prazer à mesa.

2. Você mensura o que come. Você sabia que a gente tende a subestimar o que come e superestimar o que gasta em termo de calorias? Se você fica beliscando na cozinha ao invés de servir a comida em um prato (ou cumbuca, xícara etc.), tende a comer mais do que precisa, e sem perceber.

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3. Você dá tempo ao corpo. Depois que a gente come, nosso cérebro demora cerca de 20 minutos para registrar a saciedade. Então, o ideal seria você parar de comer quando sentir que está quase satisfeito. Se fosse dar uma nota de 0 a 10 para sua saciedade, você pararia no 6 ou 7. Pode apostar: em alguns minutos, você deve perceber que está totalmente satisfeito!

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Se possível, faça as refeições com alguém. E ganhe tempo de qualidade com quem você ama. Se der, prepare sua comida, ou tenha quem prepare. E dê preferência para ingredientes frescos, naturais, integrais ou minimamente processados.

Mas, mesmo se o lanchinho da tarde for aquele cereal açucarado, servir-se de um pouco, fechar a embalagem, sentar-se e comer faz toda a diferença. Se você sai comendo direto da embalagem, vai exagerar na dose.

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Aliás, dica de ouro: pelo menos uma vez na vida, use uma xícara ou copo medidor e sirva a porção indicada na embalagem (que costuma ser ¾ de xícara) na cumbuca que você usa para comer cereal. Deu pouco, né? Pois é. Faça esse teste com seus industrializados preferidos para ter noção de quanto está comendo.

Aliás, petiscar é um hábito traiçoeiro. Quer comer um tequinho de queijo branco, só um pouquinho dessas uvas que estão tão doces e experimentar esse biscoito? Ok, mas sirva-se, coloque tudo em um prato e coma com calma, sem distrações.

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Você sabia que a gente passa boa parte do dia sentado e que isso traz diversos riscos à saúde? Pois olha só a ironia: nos momentos em que deveríamos sentar, nós resolvemos ficar em pé. Fazemos lanches e refeições na correria, nas brechas, quando dá tempo, e plugados no celular ou computador.

Num mundo pautado pela produtividade máxima e excesso de estímulos, cumprir esse pequeno ritual a cada refeição – e aqui não importa o tamanho dela -, é um ato de autocuidado e preservação.

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