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Check-up com Sidney Klajner

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O cirurgião e presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein levanta e debate as tendências e os desafios que interferem em nosso dia a dia e na saúde pública do país

O que define a qualidade de uma UTI?

Estrutura, equipamentos e tecnologias de ponta não são o suficientes. É preciso ter uma equipe treinada e um olhar humano

Por Sidney Klajner 24 set 2025, 16h25
Foto de UTI com médicos atuando
As UTIs brasileiras (e mundiais) sofreram muito com a pandemia (Foto: Natanael Mechor/Unsplash/Divulgação)
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O que define a qualidade de uma UTI? Priorizar nos meus resultados Google

A diferença entre a vida e a morte de uma jovem mãe recentemente atendida na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Einstein foi uma questão de minutos e de uma intervenção precisa.

Após dar à luz ao seu terceiro filho, ela sofreu um sangramento cerebral e foi internada. Durante a internação, teve uma embolia pulmonar, seguida de parada cardiorrespiratória. Naquele momento, estava clinicamente morta.

Ganhou a vida de volta graças à ação da equipe da UTI, que iniciou imediatamente uma terapia de suporte de vida complexa, a ECMO (oxigenação por membrana extracorpórea), durante a parada. Trata-se de um procedimento disponível em poucos centros no mundo, que exige extremo conhecimento técnico e sintonia de uma equipe multidisciplinar bem treinada.

O sangue foi desviado e oxigenado pela máquina e devolvido ao corpo, substituindo temporariamente o coração e os pulmões. O tempo necessário para a recuperação do coração e o início do tratamento da embolia foi dado pela ECMO. A paciente sobreviveu à crise, recuperou-se sem sequelas e teve alta dias depois.

UTI: tecnologia que salva vidas

Casos como esse não são milagres. São entregas de uma UTI de primeira linha. Como observa o Dr. Bruno Bravim, médico intensivista que coordenou a frente de cuidado que salvou a paciente do caso acima, a UTI é o lugar mais crítico de um hospital.

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Recebe pacientes em situações graves, que dependem de monitoramento contínuo e decisões rápidas. É um ecossistema complexo, sustentado por pilares fundamentais.

Um deles é a tecnologia. Além da ECMO, há ventiladores mecânicos modernos, ultrassom portátil e tecnologias digitais que permitem monitorar continuamente sinais vitais e parâmetros clínicos.

Evidências mostram que são gerados 21 mil dados por hora de um paciente de UTI. Esses dados alimentam plataformas robustas, que já possibilitaram a criação de algoritmos capazes de prever deterioração clínica com até oito horas de antecedência.

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O papel dos profissionais de saúde

Mas tecnologia sem propósito é só máquina, como diz o Dr. Giancarlo Colombo, gerente do Departamento de Pacientes Graves do Einstein. A diferença está na integração com protocolos científicos e no fator humano.

O sucesso depende da qualificação de médicos intensivistas, enfermeiros, fisioterapeutas, farmacêuticos clínicos, psicólogos, nutricionistas e odontologistas, que precisam atuar de forma colaborativa.

Indicadores de qualidade em UTIs

O acompanhamento de indicadores de qualidade e segurança, com metas de desempenho e planos de melhoria contínua, é indispensável. O Einstein compartilha esses dados no Dossiê de Valor, publicação disponível em seu site. Alguns exemplos de desempenho acima da média de hospitais de primeira linha:

  • Taxa de infecção de corrente sanguínea associada a cateter venoso central: 0,71 (benchmark: 1,3)
  • Taxa de pneumonia associada à ventilação mecânica: 0,67 (benchmark: 2,5)
  • Taxa de infecção urinária associada a cateter vesical de demora: 0,17 (benchmark: 0,72)
  • Tempo médio de permanência em UTI: 4,3 dias (benchmark: 4,6)
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+Leia também: Infecção hospitalar: um caso de sucesso no Brasil e os desafios atuais

Humanização no cuidado intensivo

O ambiente físico também influencia. Quartos reservados, com espaço para paciente e acompanhante, preservam a privacidade e reduzem riscos de infecção. Televisão, mobiliário confortável e visitas 24 horas fazem parte da humanização e da recuperação.

Como explica Marcele Pesavento, coordenadora de enfermagem da UTI do Einstein, cuidar do paciente inclui cuidar de sua rede de apoio. O projeto On Boarding garante acolhimento já na chegada: um enfermeiro sênior recebe paciente e familiar, explica protocolos e dialoga sobre angústias e expectativas.

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Estudos mostram que a presença de entes queridos acelera a recuperação, reduz o tempo de internação e melhora a experiência do paciente e da família.

UTI não é sinônimo de fim

UTIs costumam ser associadas a ideias de morte e medo. Mas quando recursos humanos, tecnologias, processos e ambiente funcionam como uma orquestra afinada, tornam-se essenciais para superar quadros clínicos graves e devolver os pacientes às suas vidas — como a jovem mãe citada no início deste artigo.

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