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Além de outubro. Além do rosa. Além das mamas

As brasileiras precisam e merecem mais atenção e cuidado integral em saúde

Por Angélica Nogueira, médica oncologista* 17 out 2025, 14h00 | Atualizado em 5 jun 2026, 06h28
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O câncer de mama envolve diversas nuances (Ilustração: Thuylars/Veja Saúde)
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Estamos vivenciando mais uma edição do Outubro Rosa, movimento fundamental que mobilizou a sociedade em torno da prevenção e do tratamento do câncer de mama.

Mas a pauta do mês passado foi igualmente inspiradora: a campanha Setembro em Flor multiplicou ações de conscientização pelo país e ganhou visibilidade simbólica com o Congresso Nacional iluminado.

O objetivo foi claro: chamar a atenção para um problema de saúde pública menos conhecido e discutido pela sociedade — os cânceres ginecológicos, que podem ser evitados com exames preventivos e a vacina do HPV.

Liderada pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), a iniciativa cumpre papel essencial ao colocar sob holofote doenças como câncer de colo do útero, de ovário, de endométrio, da vulva e da vagina.

Esses tumores impactam milhares de brasileiras e ainda estão cercados de estigmas, desinformação e atraso no diagnóstico.

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Seis em cada dez mulheres no Brasil não sabem, por exemplo, que o vírus HPV é o principal causador do câncer de colo do útero. O resultado é devastador: as coberturas da vacina anti-HPV estão aquém do necessário.

Além disso, menos de 30% das brasileiras realizam o exame preventivo, o papanicolau, regularmente.

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Tais dados nos espantam quando contrastados a outras estatísticas: são estimados 17 mil novos casos de câncer de colo do útero apenas em 2025 e quase 8 mil vidas são perdidas todos os anos por uma doença evitável.

Para mudar o cenário, a vacinação contra o HPV precisa ser tratada como prioridade absoluta. É urgente ampliar a cobertura em meninas e meninos e combater o desconhecimento e as fake news. O retorno da vacinação em escolas é crucial, uma vez que o público-alvo da vacina, de 9 a 14 anos, não frequenta regularmente os postos de saúde. Os países com as taxas mais altas de cobertura vacinal, como Austrália e Reino Unido, têm seus programas baseados em escolas.

Em paralelo, a implementação no SUS do teste de DNA-HPV, mais eficaz que o papanicolau, poderá salvar milhares de vidas com identificação precoce das pacientes em risco.

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Os avanços recentes anunciados pelo Ministério da Saúde em relação ao câncer de mama mostram que mudanças estruturais são possíveis. A incorporação de novos medicamentos e a ampliação da mamografia a partir dos 40 anos e a qualquer idade diante de suspeitas representam um salto de qualidade.

+Leia Também: Câncer de mama: chega ao SUS medicamento que pode reduzir mortalidade em 50%

Esses progressos precisam servir de inspiração para os tumores ginecológicos, sobre os quais ainda paira uma invisibilidade social e histórica. Nosso movimento representa, assim, uma virada. Uma primavera que engaje mulheres e traga mudanças, a exemplo do Outubro Rosa.

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O cuidado integral da mulher começa muito antes do diagnóstico. São necessárias campanhas permanentes e ações conjuntas que apoiem as cidadãs em todas as suas necessidades e etapas da vida, inclusive na jornada como paciente.

É hora de dar um passo além. Além de outubro, além do rosa, além das mamas. As brasileiras precisam. As brasileiras merecem.

Angélica Nogueira é oncologista e presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc)

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