Dia das Mães: Revista em casa por 10,99
Imagem Blog

Com a Palavra

Por Blog Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

As regiões do Brasil onde o trânsito mata mais e por quê

Desigualdade regional, alta de acidentes com motos e milhares de jovens vítimas expõem uma crise crescente no país

Por Marcos Musafir, ortopedista* 1 Maio 2026, 06h00
Mortes por acidentes de trânsito crescem e levantam alertas sobre a saúde da população.
Mortes por acidentes de trânsito crescem e levantam alertas sobre a saúde da população. (Designed by Freepik/Freepik)
Continua após publicidade

O risco de morrer no trânsito no Centro-Oeste do Brasil é praticamente o dobro do observado no Sudeste. É o que mostra uma análise feita pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), por ocasião do Maio Amarelo, mês de alerta e prevenção aos acidentes no trânsito

Na pesquisa, a associação médica comparou dados populacionais das regiões do país com os números de mortes por acidentes no trânsito em cada localidade, revelando desigualdades profundas no Brasil.

Segundo o levantamento, o Centro-Oeste lidera em letalidade proporcional, seguido por Norte, Nordeste e Sul, enquanto o Sudeste, apesar de concentrar grande volume absoluto de óbitos, apresenta o menor risco relativo.

Dados de incidência por região

No Centro-Oeste houve 4.186 mortes, segundo o último dado disponível nos registros oficiais, o que representa 24,6 óbitos por 100 mil habitantes.

Em comparação, no Norte, foram 3.913 mortes, o que equivale a 21,7 por 100 mil habitantes; no Nordeste, 11.894 mortes (20,9 por 100 mil); no Sul, 6.162 mortes (20,5 por 100 mil) e no Sudeste, 10.995 mortes (12,4 por 100 mil).

Essa diferença aponta para fatores estruturais e sistêmicos, como condições das rodovias, fiscalização, velocidade média praticada e acesso ao atendimento de urgência.

Continua após a publicidade

Em outras palavras, o número absoluto mostra o tamanho do problema, mas é a taxa por população que revela onde ele é mais grave.

Ao ampliar o olhar para os últimos 15 anos, os dados consolidados pela SBOT dimensionam a extensão dessa crise. Foram 565.382 mortes por sinistros de trânsito no período.

+Leia também: Alerta: após anos em queda, mortes no trânsito voltam a crescer no Brasil

Mais da metade desses acidentes ocorreu em vias públicas (50,7% – 286.667 óbitos), enquanto 42% (237.359 mortes) aconteceram em hospitais ou outros estabelecimentos de saúde, um indicativo claro da gravidade dos traumas e da sobrecarga imposta ao sistema assistencial.

Também foram registrados 34.830 óbitos em outros locais, 5.390 em domicílio e 1.127 classificados como ignorados.

Continua após a publicidade

Motos representam maior risco

Trata-se de uma epidemia de causas conhecidas, consequências devastadoras e, sobretudo, potencialmente evitável. Dentro desse cenário, um elemento se destaca de forma inequívoca: a motocicleta tornou-se o principal vetor de mortes e internações no trânsito brasileiro.

Em 2024, foram 15.500 mortes de motociclistas, o maior número da série histórica, superando com ampla margem os ocupantes de automóveis (7.853) e pedestres (5.682).

Ao contrário do comportamento geral dos óbitos, que apresentou queda ao longo da década passada antes de voltar a subir, as mortes envolvendo motocicletas cresceram de forma consistente, ampliando sua participação no total.

Esse avanço reflete o aumento da frota, mas também a maior exposição ao risco e a vulnerabilidade inerente ao veículo, que oferece pouca proteção em caso de impacto.

Continua após a publicidade

A mesma tendência aparece, de forma ainda mais expressiva, nas internações. Em 2024, os motociclistas responderam por 166.026 hospitalizações, de um total de 251.699, cerca de dois terços dos casos. Desde 2010, esse número mais que dobrou, pressionando progressivamente o sistema de saúde.

Enquanto outros grupos apresentam relativa estabilidade ou até redução em determinados períodos, os acidentes com motociclistas seguem em curva ascendente quase contínua, especialmente a partir de 2020.

O impacto vai além dos números: são vítimas, em sua maioria, jovens em idade produtiva, com lesões graves, muitas vezes incapacitantes, que geram consequências duradouras para famílias, para o sistema previdenciário e para a economia do país.

Diante desse quadro, a prevenção precisa ser tratada como prioridade absoluta.

Continua após a publicidade

No caso dos motociclistas, isso envolve uma combinação de medidas: uso rigoroso de equipamentos de proteção, respeito aos limites de velocidade, fiscalização efetiva e políticas públicas que considerem a crescente utilização da motocicleta como instrumento de trabalho.

Também é fundamental investir em educação no trânsito e em infraestrutura mais segura, capaz de reduzir conflitos entre diferentes modais. A experiência mostra que não há solução única. A redução de mortes depende de um conjunto articulado de ações permanentes.

É nesse contexto que ganha relevância o movimento Maio Amarelo, ao qual a SBOT se soma ativamente todos os anos. A campanha sob o slogan “Viva sem Trauma” busca chamar a atenção da sociedade para a urgência de reduzir os sinistros de trânsito por meio da informação, da conscientização e do engajamento coletivo.

Ao longo do mês, a entidade promove conteúdos educativos em suas plataformas, entrevistas com especialistas e orientações práticas voltadas à prevenção.

Continua após a publicidade

Trata-se de um esforço contínuo para transformar comportamento e salvar vidas. Porque, diante de números tão expressivos, cada atitude segura no trânsito deixa de ser apenas uma escolha individual e passa a ser um compromisso com a vida.

*Por Marcos Musafir, ortopedista e presidente do Comitê de Campanhas Púbicas da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e Miguel Akkari, ortopedista pediátrico e presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

Sua saúde merece prioridade!
Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 52% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).