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Câncer do colo do útero: onde avançamos e o que ainda precisamos fazer?

Doença ainda faz muitas vítimas, mas pode ser quase 100% evitável com uma medida simples

Por Flávia Miranda Corrêa, da Fundação do Câncer*
26 mar 2025, 06h00
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Colo do útero pode ser acometido por tumores de difícil tratamento (Freepik/Freepik)
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“Um futuro livre do câncer do colo do útero é possível.”

Essa frase ganha cada vez mais sentido no Brasil, à medida que o país avança nas estratégias de prevenção, alinhando-se às metas globais da Organização Mundial da Saúde (OMS) para eliminar a doença como problema de saúde pública.

O câncer do colo do útero é uma das maiores ameaças à saúde das mulheres brasileiras, é o quarto tipo de câncer mais comum nas mulheres em termos de incidência e mortalidade em todo o mundo. Mas é uma doença evitável e tratável, graças à eficácia das prevenções primária e secundária.

A prevenção primária inclui a vacinação contra o HPV, vírus responsável pela maioria dos casos dessa neoplasia. Já a prevenção secundária é realizada por meio de exames de rastreamento do patógeno, possibilitando intervenções antes que o câncer se desenvolva.

Desde que foi incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação em 2014, a vacina contra o HPV desempenha um papel fundamental na prevenção da doença. Em 2024, a adoção do esquema de dose única ampliou ainda mais o acesso.

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O impacto dessa medida é claro: segundo o Departamento de Monitoramento, Avaliação e Disseminação de Informações Estratégicas em Saúde (Demas), da Secretaria da Informação e Saúde Digital (Seidigi), do Ministério da Saúde, até o ano passado, quase 82% das meninas entre 9 e 14 anos já havia recebido a vacina.

+Leia também: Vacina do HPV: “a melhor cura para o câncer é não ter o câncer”

No entanto, ainda há desafios a superar. De acordo com estes mesmos dados, a cobertura entre meninas de 9 anos, idade na qual a vacina é mais imunogênica, permanece em 66%, e a imunização de meninos entre 9 e 14 anos é historicamente inferior à de meninas, com cobertura de 67% desde 2017 até o momento.

Aumentar a cobertura vacinal desse grupo é fundamental não apenas para elas, mas para proteger homens contra cânceres que também os afetam, como os de pênis, ânus e garganta, e para reduzir a circulação do vírus na população geral.

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Outra medida de grande importância para cumprir as metas da OMS foi a incorporação de testes moleculares para detecção do HPV no Sistema Único de Saúde (SUS). Esse método, que detecta o DNA do HPV, substitui o exame de Papanicolaou para o rastreamento do câncer do colo do útero.

Com o novo protocolo, a periodicidade dos rastreamentos muda para intervalos de cinco anos após um resultado negativo, refletindo a maior precisão dos testes. Além disso, mulheres com mais de 60 anos e resultado negativo podem encerrar o rastreamento.

Para aquelas com resultado positivo para os tipos de HPV 16 e 18, responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo do útero, o encaminhamento para colposcopia é imediato.

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Já mulheres com resultado positivo para outros tipos de HPV oncogênico devem fazer outro tipo de análise, a citologia. Caso essa apresente alterações, essas pacientes também são encaminhadas para colposcopia.

Apesar de o Brasil ser uma referência na adoção de estratégias inovadoras para o rastreamento do câncer do colo do útero, há desafios a serem enfrentados em face às dimensões continentais do país, com desigualdades em diversas frentes, da distribuição de profissionais qualificados ao acesso geográfico e econômico a todas as etapas da linha de cuidado, ou seja, vacinação, rastreamento, confirmação diagnóstica e tratamento.

Superar essas barreiras exige uma abordagem integrada e multiestratégica.

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Aumentar a cobertura vacinal, implementar um rastreamento organizado com busca ativa, integrar bancos de dados informatizados, promover o uso de inteligência artificial para avaliações histopatológicas e incorporar novas tecnologias são medidas essenciais.

Somente com esses esforços o Brasil poderá não apenas controlar o câncer do colo do útero, mas também liderar outros países da América do Sul nesse caminho.

* Flávia Miranda Corrêa é consultora médica da Fundação do Câncer

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