Candidíase de repetição: por que ela acontece e como tratar
Médica esclarece mitos e verdades sobre a infecção provocada por um fungo

A candidíase é caracterizada por coceira, ardência e corrimento esbranquiçado. Em alguns casos, pode desaparecer sozinha, mas também pode se tornar recorrente, afetando a rotina, o bem-estar e até a vida sexual.
Segundo uma pesquisa realizada pela Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec), 59% das brasileiras já enfrentaram vaginose bacteriana ou candidíase ao menos uma vez na vida. O estudo também apontou que 13% das entrevistadas têm dificuldade em diferenciar um corrimento normal daquele que exige atenção médica.
Além disso, segundo dados do Núcleo de Telessaúde Santa Catarina (2022), a candidíase atinge aproximadamente cerca de 138 milhões de mulheres anualmente no mundo, com uma prevalência global de cerca de 7% entre aquelas com idades entre 15 e 54 anos.
O que é a candidíase vaginal?
É causada pelo fungo Candida, que faz parte da flora natural do organismo. Em equilíbrio, ele convive com outras bactérias benéficas sem causar danos, mas, quando ocorre uma desarmonia, sua proliferação excessiva resulta nos sintomas incômodos.
Por que acontece a candidíase de repetição?
A recorrência está associada a vários fatores, como uso frequente de antibióticos, baixa imunidade e uma alimentação rica em açúcares podem favorecer o crescimento descontrolado do fungo.
Durante a gravidez ou com o uso de anticoncepcionais, as mudanças hormonais criam um ambiente propício para a expansão do fungo.
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Mitos e verdades
A população tem em mente que a candidíase é uma infecção sexualmente transmissível e muitas pessoas acreditam nisso, mas essa ideia não é correta. A Candida já está presente no organismo e pode se proliferar independentemente da vida sexual da mulher, embora relações sexuais possam, em alguns casos, desencadear crises.
Outro equívoco comum é associar à falta de higiene. Na realidade, o excesso de limpeza pode ser um fator de risco, pois o uso de sabonetes inadequados e duchas vaginais frequentes altera a flora vaginal, eliminando bactérias protetoras e favorecendo o aumento.
O consumo de iogurte ou alho também costuma ser apontado como uma solução caseira para tratar, mas não há comprovação científica de que esses alimentos tenham efeito terapêutico. O tratamento adequado deve sempre ser orientado por um profissional de saúde.
Além disso, o estresse tem um impacto direto no sistema imunológico e pode aumentar a predisposição à infecção. Situações de tensão e ansiedade favorecem o desequilíbrio da microbiota, tornando o ambiente mais propício para a proliferação do patógeno.
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Como tratar e evitar infecções recorrentes?
Não podemos normalizar casos frequentes, pois eles são um sinal de que algo não vai bem. Reconhecer que não deve ser considerado algo ‘normal’ é o primeiro passo para evitar novos episódios e restaurar o controle da saúde íntima.
Por isso, é necessário procurar um profissional para identificar os fatores envolvidos e garantir uma solução adequada. O tratamento pode envolver uso de medicamentos, mudanças de hábito e outros métodos inovadores, como o uso de laser íntimo CO2.
Esse procedimento atua de forma direcionada para destruir as células fúngicas, ao mesmo tempo, em que estimula a produção de colágeno e promove a regeneração dos tecidos vaginais, ajudando a restabelecer o equilíbrio natural. Após a primeira sessão, muitas pacientes relatam uma melhora nas primeiras 48 a 72 horas.
Além do cuidado médico, algumas orientações diárias auxiliam na prevenção, como manter o cuidado íntimo com produtos neutros, evitar roupas apertadas e optar por tecidos naturais, como algodão. São atitudes simples, mas eficazes.
*Mirelle José Ruivo é ginecologista especialista em videolaparoscopia e cirurgia minimamente invasiva. É CEO da Mulherez, a primeira rede especializada em cirurgia e rejuvenescimento íntimo para o público feminino