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Como deve ser o treino de quem toma Ozempic?

Emagrecedores de última geração pedem exercícios de baixa intensidade a fim de preservar o bem-estar do usuário

Por Rodrigo Sangion, educador físico* 24 jan 2025, 10h30
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Medicamentos que auxiliam na perda de peso promovem mudanças consideráveis no metabolismo (Freepik/Reprodução)
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Como deve ser o treino de quem toma Ozempic? Priorizar nos meus resultados Google

Imagine a cena: o aluno acima do peso, que deseja emagrecer, não consegue completar o treino na esteira da academia por falta de energia, podendo até desmaiar. Ou, apesar de toda dedicação na musculação, perde músculos junto com gordura.

Esse descompasso ocorre quando o indivíduo tem indicação médica para usar emagrecedores, caso do Mounjaro (tirzepatida) ou do Wegovy e Ozempic (semaglutida), medicamentos que estão revolucionando o tratamento da obesidade.

A cartilha da qualidade de vida prega que exercícios físicos e alimentação balanceada são as melhores alternativas para queimar gordura. Mas há casos em que tais medicamentos também são necessários, fazendo parte de uma frente tripla de sucesso.

Agora, por que usuários destes fármacos não conseguem executar todos os exercícios, podendo ter hipoglicemia (baixo nível de açúcar no sangue) ou perder músculos? É que eles não combinam com qualquer tipo de treino.

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Não dá para exercitar-se em alta intensidade, mesmo que a pessoa esteja condicionada. O gasto enérgico provocado por tais medicamentos precisa ser compatível com o nível do treino. Esse ajuste evita que se passe mal ou que músculos sejam matéria-prima de energia.

+ Leia também: Ozempic é só o começo: os remédios que prometem mudar o tratamento da obesidade

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Treino eficaz

Dito isso, eis algumas diretrizes. É necessário fazer exercícios aeróbicos, como esteira ou bike, de baixa intensidade. Por exemplo: é melhor caminhar ou alternar caminhada com trote, em vez de correr. Faça isso entre 30 e 40 minutos, três a quatro vezes na semana.

A garantia de que não haverá excesso está na aferição da frequência cardíaca, oscilando entre 50% e 70% do esforço máximo. Portanto, é providencial ter um frequêncímetro em mãos. Se a esteira ou bike não vem com essa tecnologia, recorra a um smartwatch.

Na musculação, siga igualmente o mantra da baixa intensidade. Evite treinar seguindo o método da “falha” (movimentos repetidos até a exaustão muscular), optando por exercícios multiarticulares, que acionam mais de um grupo muscular ou articulação, simultaneamente. O objetivo é otimizar, com segurança, a queima de gordura.

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Utilize carga leve ou moderada (entre 40% e 60% do que você suporta), priorizando uma execução controlada, com cadência mais lenta, de modo que você faça entre 12 e 20 repetições, confortavelmente.

As pausas entre as séries devem ser curtas (entre 30 e 60 segundos), a fim de manter o corpo em estado de esforço contínuo, sem depender intensamente de carboidratos para obter energia, pois eles têm seu consumo pelo corpo alterado por conta dos medicamentos.

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Cabe lembrar, ainda, a necessidade de acertar a alimentação, visando o reajuste enérgico. Ou seja: busque a orientação de um nutricionista ou de um médico com conhecimento de causa. No mais, lembro que educação física e medicina precisam estar juntas, sempre que possível, visando o bem-estar do aluno. Seria bom que todos os gestores de academia tivessem isso em mente.

No caso da Les Cinq Gym, que criou um protocolo de treinos para quem faz uso do Ozempic ou do Mounjaro, com consultoria do médico Carlos Portela, cardiologista e especialista em medicina do esporte, essa prática virou rotina. É obrigação saber atender um aluno com necessidade especial para não detonar a saúde dele.

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*Rodrigo Sangion é profissional de educação física e CEO da academia Les Cinq Gym (SP).

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