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Diabetes no Brasil: um problema de saúde pública

Diante do panorama de crescimento acelerado da doença, é essencial implementar ações para prevení-la e controlá-la

Por Ruy Lyra, endocrinologista* 5 dez 2024, 10h14 | Atualizado em 4 jun 2026, 23h54
diabetes
Número de pessoas com diabetes no Brasil é 80% maior agora do que no ano 2000 (Ilustração: Mirada Estúdio Criativo/SAÚDE é Vital)
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O diabetes é uma das doenças crônicas que mais cresce em prevalência mundial, e o Brasil segue essa tendência, com aumento preocupantes nas taxas de casos, especialmente nas últimas décadas.

Dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) e da Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês) destacam um cenário alarmante, impulsionado por fatores como mudanças nos padrões alimentares, sedentarismo e envelhecimento populacional.

Segundo o relatório mais recente do Vigitel (2023), a prevalência de diabetes entre a população adulta brasileira nas capitais é de aproximadamente 9,1%, o que representa um aumento de mais de 40% em comparação com dados de uma década atrás. Já somos 20 milhões de pessoas com diabetes no país.

Esse crescimento é maior entre os idosos e as mulheres, além de ter uma alta prevalência nas regiões Norte e Nordeste, onde o acesso a serviços de saúde ainda é desafiador.

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O Brasil gasta aproximadamente US$ 42 bilhões anualmente em despesas relacionadas à doença, segundo a IDF. Esses custos abrangem desde tratamentos diretos com medicamentos e monitoramento de glicemia, até despesas associadas a complicações graves, como doenças cardiovasculares, insuficiência renal, cegueira, neuropatias e amputações.

+Leia também: Os quatro pilares para o tratamento do diabetes

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Fatores que criam esse cenário

O impacto econômico é ampliado quando se considera a perda de produtividade de indivíduos com complicações de saúde ou incapacitados devido ao diabetes.

A dieta do brasileiro mudou, os alimentos ultraprocessados tomaram o lugar do tradicional arroz, feijão, carne e salada. Isso está diretamente ligado ao aumento de sobrepeso e obesidade, que são fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Já a falta de exercício físico aumenta o risco não só da obesidade, mas da resistência à insulina, condições que podem levar à doença.

Mais um fator é que o Brasil está passando por um processo de envelhecimento populacional, com o aumento da expectativa de vida. E o diabetes tipo 2 é mais comum em idosos, de modo que a mudança contribui para o aumento dos casos da doença.

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Diante do panorama atual, é essencial implementar ações para prevenir e controlar a doença, como incentivar o consumo de alimentos frescos e a criação de espaços públicos para a prática de esportes e atividades físicas.

A educação sobre os fatores de risco e as formas de prevenção do diabetes é uma ferramenta poderosa, especialmente em regiões de maior vulnerabilidade social, e precisam ser implementadas urgentemente. Também é essencial garantir o acesso a exames de glicemia e à medicação adequada para o controle da doença.

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Apenas a combinação dessas ações pode ajudar a reverter o avanço do diabetes no Brasil e a promover uma população mais saudável.

*Ruy Lyra é endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes

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