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Dor lombar atinge 80% da população e desafia saúde pública

Dor lombar é desafio global e nacional, com 80% da população afetada. Brasil enfrenta desigualdade no acesso ao tratamento e início precoce

Por Alexandre Fogaça, ortopedista* 17 abr 2026, 19h30
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A dor lombar é um desafio de saúde pública global, e no Brasil não é diferente (Design: Letícia Raposo/Estúdio Coral | Fotos: we are e uchar/Getty Images)
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A dor lombar deixou de ser um problema individual para se tornar um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI. Hoje, é a principal causa de incapacidade em todo o mundo, afetando cerca de 619 milhões de pessoas, número que pode chegar a 843 milhões até 2050.

Mais do que a alta prevalência, chama atenção o impacto funcional: desde 1990, a dor lombar lidera os anos vividos com incapacidade, refletindo não apenas sofrimento físico, mas também perdas econômicas e sociais significativas.

Esse cenário é impulsionado por mudanças demográficas e comportamentais. O envelhecimento populacional, aliado ao sedentarismo, ao aumento da obesidade e a hábitos de vida pouco saudáveis, tem ampliado o número absoluto de casos.

Estima-se que cerca de 80% das pessoas experimentarão dor lombar ao longo da vida, com maior incidência em mulheres e em indivíduos acima dos 40 anos. Em regiões como a América Latina, o crescimento tem sido ainda mais acelerado, reforçando a urgência de estratégias de enfrentamento.

No Brasil, a realidade acompanha, e em alguns aspectos intensifica, esse panorama global. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde indicam que entre 18,5% e 23,4% dos adultos convivem com problemas crônicos de coluna. A dor nas costas não apenas é frequente, como também se manifesta precocemente: a média de início dos sintomas gira em torno dos 35 anos, impactando indivíduos em plena fase produtiva da vida.

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As desigualdades sociais agravam esse quadro. Fatores como baixa renda, menor escolaridade, sobrepeso, tabagismo e presença de outras doenças crônicas estão associados a maior prevalência.

Além disso, embora cerca de 68% dos brasileiros com dor nas costas recebam algum tipo de tratamento, o acesso não é equitativo, já que pessoas com maior renda e plano de saúde têm mais chances de serem assistidas. Isso evidencia que o problema da coluna, no país, não é apenas clínico, mas também estrutural.

+Leia também: Implante modula dor nas costas em tempo real; saiba como funciona

Avanços tecnológicos transformam o tratamento da coluna

É nesse contexto que eventos científicos ganham relevância estratégica. O congresso da área de coluna, que será realizado de 18 a 21 de abril, reunirá especialistas para discutir avanços que impactam diretamente o cuidado com o paciente.

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Entre os principais destaques está a evolução das tecnologias cirúrgicas, como técnicas minimamente invasivas, procedimentos endoscópicos e o uso de navegação e robótica. Essas inovações vêm transformando a prática clínica ao permitir intervenções mais precisas, com menor agressão aos tecidos e recuperação mais rápida.

Outro eixo fundamental é o fortalecimento das abordagens não cirúrgicas. O manejo da dor e o tratamento conservador têm sido cada vez mais valorizados, com o objetivo de evitar procedimentos invasivos sempre que possível. Esse movimento representa uma mudança importante de paradigma, centrada no cuidado integral e individualizado do paciente.

Prevenção ainda é a estratégia mais eficaz contra dor lombar

O encontro também promove uma ampla discussão sobre as doenças mais prevalentes da coluna, como hérnias de disco, condições degenerativas e deformidades, além de abrir espaço para a apresentação de novas pesquisas e inovações terapêuticas. Essa troca de conhecimento é essencial para acelerar a incorporação de evidências científicas na prática clínica e melhorar os desfechos em saúde.

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Por fim, é fundamental reforçar que, embora os avanços no tratamento sejam significativos, a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz. A adoção de hábitos saudáveis, como atividade física regular, controle do peso, postura adequada e cessação do tabagismo, pode reduzir de forma expressiva o risco de desenvolver dor lombar.

Diante de um problema tão prevalente e impactante, investir em prevenção é não apenas uma escolha individual, mas uma prioridade coletiva.

*Alexandre Fogaça Cristante, presidente do Comitê de Coluna da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBC/SBOT)

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