🔥 Mês do Cliente: Assine o Digital por R$ 9,90/mês e tenha conteúdo exclusivo na palma da sua mão!
Imagem Blog

Com a Palavra

Por Blog Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

EUA vão mesmo descobrir as causas do autismo até setembro?

Qualquer promessa sobre pesquisas que revelem rapidamente "as verdadeiras causas" do transtorno não passa de bravata

Por Lucelmo Lacerda, pesquisador* 25 abr 2025, 10h50 | Atualizado em 30 abr 2025, 16h22
rfk-jr-autismo-causas-setembro
Robert F. Kennedy Jr, secretário de saúde dos Estados Unidos, anunciou que pretende identificar as "verdadeiras causas" do autismo (Alex Wong / Equipe/Getty Images)
Continua após publicidade
EUA vão mesmo descobrir as causas do autismo até setembro? Priorizar nos meus resultados Google

Recentemente, uma promessa abalou as comunidades relacionadas ao autismo: o compromisso assumido pelo Secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., de que até setembro uma série de estudos revelaria as causas do transtorno do espectro autista (TEA).

Sendo mais específico, ele supostamente revelaria quais toxinas estariam provocando uma “epidemia” desta condição.

Só que, até agora, os estudos científicos mais rigorosos apontam que de 98% a 99% da causalidade do TEA é genética e que não há uma epidemia de autismo — até por que essa expressão não se aplica a uma condição genética — e que a explosão de diagnósticos é decorrente sobretudo do aumento de informações, de melhor formação médica e da ampliação do próprio conceito do que seja o autismo.

+Leia também: A redescoberta do autismo

Mas a ciência não oferece verdades talhadas em pedra e há os que advogam a tese de que há um aumento real e expressivo da quantidade de pessoas autistas e que, portanto, causas ambientais até agora não desvendadas estão atuando para esse aumento. Esta é a tese a que o sistema estadunidense de saúde aderiu.

Continua após a publicidade

É impossível que haja fatores ambientais potencializando de modo significativo o autismo? Não! É possível que alguma pesquisa revele essas causas até setembro? Não!

Mesmo se ela for fartamente financiada e com os melhores e inúmeros cientistas, das melhores universidades à sua disposição? Não, assim como nove mulheres não fazem um bebê em um mês, nem todos os cientistas do mundo conseguiriam a façanha de avaliar cientificamente os fatores associados ao TEA até setembro.

Como estudar as causas do autismo?

Imagine, por exemplo, que quiséssemos avaliar os impactos do consumo de microplásticos em gerar filhos autistas ou de um bebê não-autista se tornar autista? Importante lembrar que a ciência atual, com as evidências que temos hoje disponíveis, considera o autismo sempre congênito.

Continua após a publicidade

Uma pesquisa capaz de revelar os impactos dos microplásticos no TEA deveria observar seus níveis em diversas sociedades que consomem ou não consomem produtos com sua presença, durante muitos e muitos anos (talvez décadas) e correlacionar com os números do autismo, promovendo avaliações diagnósticas homogêneas.

Talvez seria necessário que esse estudo fosse realizado pelo mesmo grupo de avaliadores em todos esses lugares.

Outra possibilidade é “isolar” certas comunidades, como cidades e realizar políticas duras e consistentes de proibição e substituição de produtos com microplásticos em metade dessas cidades (divididas por sorteio) e então fazer avaliações massivas e homogêneas de TEA em todas essas populações.

Continua após a publicidade

Isto provavelmente permitiria que em alguns anos, talvez uma década, tivéssemos essa resposta.

+Leia também: Como interpretar um estudo científico?

Outras avaliações seriam muito mais difíceis, como alimentação, já que as pessoas consomem muitas coisas e alimentos dificilmente poderiam ser proibidos em certa região.

Continua após a publicidade

O estudo sobre a poluição do ar também seria um grande desafio, já que os ventos não respeitam delimitações estabelecidas por pesquisadores. Além disso, há centenas de outros candidatos a “toxinas” que podem exercer influência sobre nós, seres humanos, em sociedades complexas como as nossas.

Qualquer promessa sobre pesquisas que revelem “as verdadeiras causas do autismo”, que não venham acompanhadas de muitos bilhões de dólares e algumas décadas não é uma promessa, é uma bravata. Infelizmente, a ciência é lenta. Poderíamos dizer até, parafraseando Churchill, que a ciência é o pior conhecimento que existe, exceto todos os outros!

*Lucelmo Lacerda é doutor em educação, pesquisador, ativista do TEA e autor de “Crítica à pseudociência em educação especial: Trilhas de uma educação inclusiva baseada em evidências”

Continua após a publicidade
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo uma página de notícias com imagens de produtos e um ícone de árvore verde ao ladoMão segurando um smartphone branco com a tela exibindo um aplicativo de notícias, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

Sua saúde merece prioridade!
Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).