Minoxidil pode causar “síndrome do lobisomem”? Médica explica
Novo efeito colateral de uma das loções mais utilizadas para tratar calvície chamou atenção na mídia. Explicamos essa história

A loção de minoxidil é um dos medicamentos mais utilizados no tratamento da calvície, tanto por sua eficácia quanto pelo seu perfil de segurança. Mas um efeito colateral curioso tem chamado a atenção, e virou motivo de preocupação recente na Europa: a hipertricose, chamada de popularmente de “síndrome do lobisomem“, em bebês.
Hipertricose é o nome dado ao crescimento exagerado de pelos no corpo, e é um evento adverso bastante conhecido do minoxidil. Isso pode ocorrer quando a loção escorre para locais além da área a ser tratada.
Mas o que os bebês têm a ver com isso? Na Europa, foram detectados 11 casos em bebês que mantinham contato prolongado com pais ou cuidadores que faziam uso contínuo do minoxidil tópico. Quando a medicação foi suspensa, todos os quadros foram completamente revertidos.
Por que isso pode ocorrer?
O minoxidil é um medicamento que atua dilatando os vasos sanguíneos e aumentando o fluxo de sangue para o couro cabeludo, o que ajuda a reverter o afinamento dos fios e promover o crescimento do cabelo.
No caso da medicação tópica, esse efeito vai ocorrer nos folículos capilares que entrarem em contato com o produto. Por isso, é essencial fazer uma aplicação precisa, lavar adequadamente as mãos após esse processo e aguardar a absorção completa na pele antes de entrar em contato próximo com outras pessoas.
Se forem crianças, isso é mais importante ainda, já que elas têm uma pele com maior capacidade de absorção de ativos.
Considerando o minoxidil oral, teremos um efeito sistêmico, ou seja, em todo o organismo, dessa forma, poderemos notar um crescimento de pelos em qualquer área do corpo. Por esse motivo, apesar da maior praticidade quando comparado a forma tópica, o minoxidil oral não costuma ser bem tolerado pelas mulheres.
Ao contrário do que vemos nas redes sociais, o minoxidil é um medicamento, que deve ter o uso supervisionado por um médico. Casos como esses só reforçam o quão importante é a orientação sobre modo de uso, contraindicações e efeitos colaterais referentes a qualquer tratamento.
*Aline Erthal, dermatologista graduada pela Universidade de São Paulo (USP) e diretora médica da área de dermatologia da Omens, plataforma que trata da saúde masculina.