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No mês da saúde, conheça duas doenças que não devem ser subestimadas

Essas condições são frequentemente negligenciadas como "desgaste da idade", mas derrubam a qualidade de vida e podem trazer limitações sérias de movimentos

Por Stella Falcadi Vendramine Campos, reumatologista* 22 abr 2026, 11h21
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A osteoartrite pode atingir os dedos da mão e dificultar ainda mais as atividades diárias (Design: Letícia Raposo/Estúdio Coral | Fotos: we are e uchar/Veja Saúde)
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Abril, o Mês da Saúde é um convite à atenção: nem todo sintoma deve ser normalizado. Entre as doenças musculoesqueléticas que mais passam despercebidas está a osteoartrite, conhecida popularmente como artrose, uma doença altamente prevalente, mas ainda subestimada.

Estudos mostram um crescimento expressivo da condição nas últimas décadas. Entre 1990 e 2019, o número de pessoas acometida mais do que dobrou no mundo. No Brasil, outro dado chama atenção: muitos pacientes diagnosticados não recebem tratamento adequado nas fases iniciais, o que contribui para a progressão da doença e aumento do impacto funcional ao longo dos anos.

Isso ocorre porque a osteoartrite é frequentemente confundida com um simples “desgaste da idade”, levando à negligência de seus principais sintomas: dor e limitação articular. Quando não diagnosticada precocemente, pode evoluir de forma insidiosa, comprometendo a mobilidade, autonomia e qualidade de vida

O diagnóstico é clínico e complementado por exames de imagem. Atualmente, a medicina entende a artrose como uma doença sistêmica, que envolve não apenas as articulações, mas também processos inflamatórios de baixo grau e fatores metabólicos. Fatores como sedentarismo, excesso de peso e envelhecimento populacional contribuem diretamente para o aumento do número de casos.

+Leia também: Liberte-se da artrose: a atividade física se tornou chave no tratamento

Como é feito o manejo da osteoartrite

O manejo vai além de medicações e inclui atividade física orientada, controle de peso e fortalecimento muscular. Esse cuidado multidisciplinar contribui para a melhora da dor e da qualidade de vida, além de favorecer a adesão ao tratamento. As infiltrações intra-articulares ampliam as opções terapêuticas em casos selecionados.

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Embora a artrose seja uma das causas mais comuns de dor articular, ela não é a única. Outra condição que também pode passar despercebida é a artrite reumatoide, uma doença inflamatória autoimune e progressiva que, quando não tratada, pode causar dor persistente, perda de função e deformidades articulares.

Artrite reumatoide: sintomas que merecem atenção

Diferentemente da osteoartrite, a dor da artrite reumatoide tem caráter inflamatório. Costuma ser mais intensa pela manhã, com rigidez prolongada, piora com o repouso e melhora ao longo do dia, frequentemente acompanhada de inchaço nas articulações e, em alguns casos, com sintomas sistêmicos como fadiga.

O diagnóstico precoce é fundamental. O tratamento vai além do alívio da dor: inclui medicações que controlam a inflamação e a progressão da doença. Entre elas, destacam-se os imunobiológicos, terapias modernas que atuam de forma direcionada no sistema imunológico e têm transformado o prognóstico da artrite reumatoide.

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Mais do que dor, essas doenças impactam diretamente na autonomia dos pacientes, dificultando atividades simples, como subir escadas e fazer higiene pessoal. Em comum, reforçam uma mensagem essencial, o tempo até o diagnóstico faz diferença.

No Mês da Saúde, fica o alerta: dor nas articulações não é “normal”, reconhecer os sinais e buscar avaliação médica pode mudar completamente o curso dessas doenças.

Dra. Stella Falcadi Vendramine Campos é reumatologista e membro da Sociedade Paulista de Reumatologia (SPR).

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