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Tuberculose: pacientes com doenças reumáticas têm risco até 10 vezes maior

Casos de tuberculose têm crescido no mundo e exigem atenção especial para pacientes com problemas como artrite; entenda o motivo

Por Vanessa Magalhães* 1 abr 2026, 10h17 | Atualizado em 1 abr 2026, 10h17
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A atrite reumatoide afeta qualquer articulação do corpo (Foto: Alex Silva/A2 Estúdio)
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  • A tuberculose é a segunda maior causa de morte por infecção no mundo. Cerca de 10 milhões de pessoas adoecem a cada ano e mais de um milhão morrem devido à doença. Já no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, são notificados aproximadamente 80 mil novos casos anualmente, com pelo menos 5,5 mil mortes.

    Mas essa doença grave também representa um grande risco para pacientes com doenças reumáticas (que afetam ossos, articulações, cartilagens, músculos, tendões e ligamentos). Entre os motivos para isso está a maior chance de infecção entre usuários de medicamentos que reduzem a atividade do sistema imune (imunossupressores), indicados para quadros de artrite.

    O risco de desenvolver a doença aumenta consideravelmente em pacientes em uso de terapias biológicas, podendo ser de quatro a dez vezes maior.

    Por isso, podem ocorrer quadros de tuberculose latente (quando o microrganismo causador da doença está presente no organismo, inativo, sem causar sintomas, mas com alto de risco de progressão se a imunidade baixar).

    Mas não para por aí. Além de ser uma infecção pulmonar, a tuberculose pode desencadear sintomas autoimunes e manifestações reumáticas, incluindo complicações ósseas e articulares.

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    Prevenção para pacientes reumáticos

    A transmissão ocorre pela inalação de gotículas contaminadas pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, eliminadas no ar quando uma pessoa com tuberculose pulmonar ativa tosse, espirra ou fala.

    Uma vez inaladas, as bactérias podem ser eliminadas pelo sistema imunológico ou permanecer latentes por anos. Importante frisar que, como se sabe, a tuberculose não é transmitida por contato físico, objetos ou alimentos.

    A pandemia de COVID-19 teve um impacto negativo no controle da tuberculose. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2020, os serviços voltados à doença foram severamente interrompidos, resultando em um aumento de casos de mortes.

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    Apenas naquele ano, aproximadamente 1,5 milhão de pessoas morreram de tuberculose.

    Para pacientes com artrite reumatoide ou outras doenças autoimunes, a prevenção inclui uma avaliação clínica detalhada, histórico médico, exames de imagem e testes específicos para detectar a bactéria.

    Esse rastreamento é obrigatório para todos que iniciarão terapias biológicas.

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    Diagnóstico e tratamento

    O diagnóstico envolve uma investigação criteriosa. Sintomas como tosse persistente por mais de duas a três semanas, febre ao final da tarde, suores noturnos, perda de peso e fadiga podem ser indicativos. Para confirmar o diagnóstico, o médico pode solicitar exames laboratoriais, imagem do tórax e, em alguns casos, até biópsia.

    O tratamento da tuberculose disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) dura em média seis meses e apresenta alta eficácia na eliminação da infecção.

    Pacientes com alto risco podem precisar de acompanhamento contínuo e, em alguns casos, de um novo ciclo de tratamento para evitar complicações.

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    Diante desses fatores, o controle da tuberculose deve ser uma prioridade, especialmente entre pacientes imunossuprimidos, ou seja, pessoas com o sistema imunológico já enfraquecido ou vulnerável.

    O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são essenciais para reduzir complicações, estatísticas e, assim, salvar vidas.

    *Vanessa Magalhães é reumatologista da Escola Paulista de Medicina e da Sociedade Paulista de Reumatologia (SPR)

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