Dia Internacional da Síndrome de Down: condição atinge 1 em cada 700 bebês
Entenda como fica o desenvolvimento da criança que tem a alteração nos cromossomos e a importância das intervenções precoces

A síndrome de Down é uma condição genética causada pela presença de um cromossomo 21 extra, ocorrendo em aproximadamente 1 em cada 700 nascimentos.
Algumas crianças com síndrome de Down podem nascer com cardiopatias congênitas, sendo necessário acompanhamento especializado e, em determinados casos, tratamento cirúrgico precoce.
Além disso, o acompanhamento multiprofissional, aliado ao envolvimento ativo da família e à estimulação precoce, é essencial para o desenvolvimento das potencialidades e autonomia das crianças.
No dia 21 de março, chamamos a atenção para a inclusão destas crianças por meio do Dia Mundial da síndrome de Down, destacando a importância de terem acesso as mesmas oportunidades que as demais.
Para esclarecer um pouco sobre esse tema, conversaremos com a Dra. Renata Mazzotti Zampol, gerente médica da Unidade de Internação do Sabará Hospital Infantil.
É possível realizar o diagnóstico da síndrome de Down durante a gestação?
Sim. Exames de rastreamento, como o ultrassom obstétrico e testes bioquímicos realizados no sangue materno, indicam a possibilidade da síndrome, mas apenas exames genéticos específicos confirmam o diagnóstico.
Caso o diagnóstico não seja realizado durante a gestação, é possível confirmá-lo após o nascimento por meio do exame de cariótipo.
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Quais são os principais cuidados médicos nos primeiros meses de vida?
Nos primeiros meses é fundamental o acompanhamento médico regular para avaliar questões cardiológicas, visuais, auditivas e o desenvolvimento neuropsicomotor.
O aleitamento materno deve ser incentivado devido aos benefícios para o fortalecimento imunológico e para o desenvolvimento da musculatura oral, favorecendo a alimentação e a fala.
Caso surjam dificuldades na amamentação, o acompanhamento por um fonoaudiólogo pode ser necessário. Atividades diárias de estimulação precoce ajudam significativamente no desenvolvimento global da criança.
Como fica a alimentação da criança com síndrome de Down?
Sim. A alimentação deve ser variada, equilibrada e nutritiva, iniciando-se preferencialmente com o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade.
A introdução alimentar após esse período deve incluir frutas, legumes, proteínas e fibras, respeitando sempre o ritmo individual da criança.
Em alguns casos, pode ser necessária a intervenção de um fonoaudiólogo para auxiliar em questões como mastigação e deglutição. Manter uma boa hidratação e dieta rica em fibras também auxilia no funcionamento intestinal, contribuindo para hábitos alimentares saudáveis e maior autonomia.
Como estimular adequadamente o desenvolvimento em casa?
A estimulação precoce é essencial para potencializar as habilidades motoras, cognitivas e sociais.
Atividades como conversas, brincadeiras, músicas e o contato frequente com diferentes objetos e texturas favorecem o desenvolvimento integral da criança.
Uma rotina estruturada, porém, flexível e prazerosa, respeitando sempre o ritmo da criança, é fundamental para promover o aprendizado e autonomia desde cedo.
Por que é essencial o acompanhamento multidisciplinar?
Ele garante uma abordagem integral das necessidades específicas da criança.
Pediatras realizam o acompanhamento geral de saúde; cardiologistas monitoram o coração; fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais promovem o desenvolvimento motor; fonoaudiólogos apoiam a comunicação e alimentação; e psicólogos oferecem suporte emocional para toda a família.
O envolvimento familiar constante, aliado a esta equipe especializada, é fundamental para garantir inclusão e participação social.
Com o apoio adequado, cada criança com síndrome de Down pode alcançar sua máxima autonomia e uma vida plena, participando ativamente da sociedade.