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Caminhos para uma infância mais saudável e com o melhor suporte médico são o mote dos artigos do pediatra Felipe Monti Lora, CEO do Sabará Hospital Infantil

O que você precisa saber sobre a relação entre autismo e Tylenol

Estudos científicos reforçam que o uso de paracetamol na gravidez é seguro e não há relação comprovada com o aumento de casos de autismo

Por Felipe Monti Lora 4 out 2025, 04h00
uso de paracetamol na gravidez
Durante a gravidez, medicamentos devem ser usado sempre com cautela e sob orientação médica (Foto: Unsplash / Volodymyr Hryshchenko/SAÚDE é Vital)
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Uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou alvoroço em comunidades médicas do mundo inteiro e abalou famílias, principalmente as mães, das pessoas que têm algum grau do transtorno do espectro autista (TEA).

Segundo Trump, a FDA (Food and Drug Administration) notificaria médicos de que o uso de Tylenol durante a gravidez “pode estar associado a um risco muito maior de autismo”, relacionando o analgésico (utilizado para febre e dores de cabeça, principalmente por gestantes) com o crescimento do número de diagnósticos de TEA entre as crianças.

No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e agências internacionais de saúde como o Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido e a Comissão Europeia afirmaram que não há evidências científicas conclusivas que liguem o uso de paracetamol durante a gravidez ao autismo.

As diretrizes médicas indicam que o medicamento é a “primeira escolha” de analgésico para tratar gestantes, podendo ser utilizado durante toda a gestação sem causar danos ao bebê.

Números do autismo no mundo e no Brasil

De acordo com relatório da Rede de Monitoramento de Autismo e Deficiências dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), uma em cada 31 crianças nos EUA é identificada como autista aos 8 anos de idade. O levantamento foi feito em 16 locais dos Estados Unidos em 2022.

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No Brasil, segundo dados do Censo de 2022, cerca de 2,4 milhões de pessoas foram diagnosticadas com autismo. Entre as crianças de 5 a 9 anos, os números chegam a 2,6% da população.

A organização Autistas Brasil critica declarações como a de Trump e alerta para o risco de políticas que desumanizam pessoas autistas.

+Leia também: “Infelizmente, o tratamento do autismo virou um grande negócio”

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Fatores que explicam o aumento nos diagnósticos

O coordenador de neurologia do Sabará Hospital Infantil, Dr. Carlos Takeuchi, explica que “o TEA é resultado de alterações no desenvolvimento cerebral e tem origem multifatorial, podendo estar relacionado a fatores genéticos e ambientais, isoladamente ou em conjunto”.

Segundo ele, desde 2013, com a atualização do DSM-5 (manual de referência para diagnóstico de transtornos psiquiátricos), os critérios de identificação do TEA foram ampliados. Além disso, o maior conhecimento das famílias, a melhor capacitação dos profissionais de saúde e a crescente busca por atendimento contribuem diretamente para o aumento no número de diagnósticos.

Do ponto de vista pediátrico, o crescimento nos diagnósticos coincide com essa maior sensibilização. Já o paracetamol é usado por gestantes muito antes desse período, sem mudanças significativas de frequência no consumo.

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O que os estudos científicos mais recentes mostram

Especialistas que atendem crianças e adolescentes com TEA reforçam que, de acordo com as informações disponíveis, o uso do paracetamol é seguro para gestantes.

Um estudo publicado pela revista científica JAMA, em 2024, analisou dados de quase 2,5 milhões de crianças na Suécia para investigar se o uso do medicamento na gravidez estaria associado a maior risco de autismo, TDAH ou deficiência intelectual.

O resultado não encontrou evidências científicas claras que comprovem relação direta entre o uso prudente do medicamento e problemas de desenvolvimento neurológico durante a gestação.

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Mães não devem carregar culpa

Portanto, mães que tenham utilizado o remédio devem ficar tranquilas.

“É fundamental termos cautela ao abordar possíveis associações entre o uso de medicamentos, como o paracetamol, e o desenvolvimento do autismo. A mãe que utilizou o medicamento durante a gestação e tem um filho com TEA não deve carregar o peso dessa responsabilidade. Esse tipo de pensamento pode gerar sofrimento psicológico profundo, desestruturar emocionalmente a mulher e impactar toda a dinâmica familiar. Como médicos, nosso papel é evitar que se crie um problema adicional desnecessário; não se deve terceirizar a culpa por uma condição multifatorial como o autismo”, afirma Dr. Takeuchi.

A importância do acompanhamento médico

Mulheres que planejam engravidar devem procurar orientação médica para saber quais medicamentos podem ou não utilizar, considerando seu estado de saúde.

Já as gestantes devem realizar o pré-natal, que é a melhor forma de garantir uma infância saudável para o bebê.

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