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O Futuro do Diabetes

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Carlos Eduardo Barra Couri é endocrinologista, pesquisador da USP de Ribeirão Preto e criador do Endodebate e do Diacordis. Aqui ele mapeia os cuidados e os avanços para o controle do diabetes

Estudo mostra que diabetes tipo 1 dobra risco de demência

A boa notícia é que boa parte dos fatores de risco são modificáveis. Entenda a pesquisa e como se proteger

Por Carlos Eduardo Barra Couri 18 out 2025, 04h00
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Alzheimer e Parkinson, os dois principais tipos de demência, não têm cura nem são reversíveis (atlascompany/Freepik)
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Um novo e amplo estudo sueco publicado na revista Diabetes Care revelou uma descoberta preocupante: pessoas com diabetes tipo 1 têm o dobro do risco de desenvolver demência em comparação com quem não tem a doença.

Os cientistas analisaram dados de 43.440 indivíduos com diabetes tipo 1 e 217.109 pessoas sem diabetes, acompanhados por cerca de 14 anos. O estudo utilizou registros nacionais da Suécia — um dos países com sistemas de saúde mais detalhados do mundo.

A idade média dos participantes era de 33 anos no início da pesquisa, o que indica que muitos ainda eram adultos jovens. No entanto, com o aumento da expectativa de vida dessas pessoas, cresce também a preocupação com doenças neurodegenerativas que costumavam aparecer apenas em idades mais avançadas.

O que o estudo mostrou sobre o risco de demência

Os resultados mostraram que:

  • 1,2% das pessoas com diabetes tipo 1 desenvolveram algum tipo de demência, contra 0,9% dos controles sem diabetes;
  • O risco de demência de Alzheimer foi 38% maior;
  • O risco de demência vascular foi quase quatro vezes maior;
  • E o risco de outros tipos de demência foi 87% maior.
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+Leia também: Alzheimer: descobertas da ciência para salvar as engrenagens do cérebro

Além da própria presença do diabetes, o estudo destacou fatores que aumentam o risco de demência entre pessoas com a doença. Entre eles estão:

  • Maior tempo de duração do diabetes;
  • Níveis altos de HbA1c (indicador de glicemia média elevada);
  • Pressão alta (hipertensão);
  • Histórico de AVC ou doenças cardiovasculares;
  • Baixa escolaridade;
  • Viver sozinho.

Esses fatores, combinados, tornam o cérebro mais vulnerável a danos. O controle rigoroso da glicose e da pressão arterial é essencial para prevenir complicações neurológicas.

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O que fazer para reduzir o risco de demência

A boa notícia é que muitos desses fatores são modificáveis. Com alguns cuidados diários e acompanhamento médico, é possível diminuir significativamente o risco de demência.

Veja as principais recomendações dos especialistas:

  • Mantenha o controle da glicose no sangue com acompanhamento regular;
  • Controle a pressão arterial e o colesterol;
  • Adote uma alimentação equilibrada, rica em fibras, frutas e vegetais;
  • Pratique atividades físicas regularmente;
  • Evite o tabagismo e o consumo excessivo de álcool;
  • Estimule o cérebro com leitura, aprendizado e interação social.
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Essas medidas ajudam não apenas a preservar o cérebro, mas também o coração, os rins e a visão — órgãos igualmente afetados pelo diabetes.

Graças aos avanços no tratamento, pessoas com diabetes tipo 1 estão vivendo mais e com melhor qualidade de vida. Mas esse avanço traz um novo desafio: envelhecer com o cérebro saudável.

O estudo sueco serve como alerta para profissionais de saúde, familiares e pacientes: controlar o diabetes não é apenas evitar complicações físicas, mas também proteger o cérebro e a memória.

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