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O Futuro do Diabetes

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Carlos Eduardo Barra Couri é endocrinologista, pesquisador da USP de Ribeirão Preto e criador do Endodebate e do Diacordis. Aqui ele mapeia os cuidados e os avanços para o controle do diabetes

Março Azul: obesidade e diabetes elevam risco de câncer de intestino

Campanha destaca prevenção e rastreamento da doença entre pessoas com alterações metabólicas, grupo que exige atenção redobrada nas consultas

Por Carlos Eduardo Barra Couri 23 mar 2026, 17h06
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Casos de câncer colorretal estão aumentando em jovens  (KATERYNA KON/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)
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O Março Azul reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal. O tema merece espaço nas consultas de rotina, sobretudo entre pessoas com obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica, já que esses quadros estão associados a risco aumentado para a doença.

O excesso de gordura corporal, a resistência à insulina e a inflamação crônica ajudam a explicar essa conexão, que precisa ser mais lembrada no consultório.

No Brasil, o câncer de cólon e reto tem peso expressivo nas estatísticas. Segundo a estimativa do INCA (Instituto Nacional do Câncer) ele ocupa a segunda posição entre os cânceres mais incidentes em homens e também em mulheres, quando se exclui o câncer de pele não melanoma.

Para o ano de 2026, o INCA projeta um número de 54 mil novos casos de câncer de intestino, o que mostra que não se trata de um problema raro, e sim de uma doença frequente e relevante para a saúde pública.

+Leia também: Por que os casos de câncer em jovens não param de crescer?

Esse cenário ganha ainda mais importância entre pessoas com obesidade, diabetes ou síndrome metabólica. Estudos e órgãos de referência apontam que a obesidade está relacionada ao aumento do risco de câncer colorretal. No caso do diabetes tipo 2, a associação persiste mesmo quando outros fatores são considerados.

Já a síndrome metabólica, conjunto que reúne alteração da glicose, pressão alta, gordura abdominal e colesterol fora do alvo, também aparece ligada a maior risco da doença. Por isso, falar sobre prevenção do câncer de intestino deve fazer parte do acompanhamento clínico desses pacientes, e não ficar restrito a campanhas sazonais.

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Sinais de alerta que precisam entrar na consulta de rotina

Na prática, isso significa incluir perguntas simples e objetivas nas consultas de rotina: houve mudança persistente do hábito intestinal? Apareceu diarreia ou prisão de ventre fora do padrão? Existe dor abdominal recorrente, anemia sem causa definida ou perda de peso involuntária?

Também é essencial investigar histórico familiar de câncer de intestino, porque esse dado muda a estratégia de rastreamento e pode exigir exames mais cedo.

Segundo Alexande Buzaid Neto, presidente da Sociedade de Gastroenterologia do Estado de São Paulo, as recomendações reforçadas pela campanha Março Azul 2026 apontam a colonoscopia como padrão-ouro para rastreamento a partir dos 45 anos em pessoas sem sintomas. O exame permite visualizar o intestino por dentro e retirar pólipos antes que evoluam para câncer, o que amplia seu valor preventivo.

Para quem tem história familiar importante de câncer de intestino, a investigação deve começar antes, com orientação individualizada, aponta o médico.

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Colonoscopia e sangue oculto nas fezes

A pesquisa de sangue oculto nas fezes é outra ferramenta importante e pode ser usada como alternativa, especialmente em estratégias de triagem. O exame identifica pequenos sangramentos não visíveis a olho nu e ajuda a selecionar quem precisa seguir para colonoscopia.

Embora não substitua o exame endoscópico em todas as situações, é uma opção relevante para ampliar o rastreamento e facilitar o acesso à detecção precoce.

Outro ponto que precisa ser enfatizado no Março Azul é a atenção aos sinais de alerta. Sangue nas fezes nunca deve ser ignorado. O mesmo vale para fezes muito escuras, negras ou com aspecto semelhante a borra de café, além de sangramento anal, mudança persistente do funcionamento intestinal, fraqueza e anemia.

Nem todo sintoma indica câncer, mas todos merecem avaliação, principalmente em pessoas com fatores de risco metabólicos ou histórico familiar relevante.

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+Leia também: Como são as fezes de quem tem câncer de intestino? Saiba como identificar problemas

Trazer esse assunto para a consulta de rotina é uma medida de cuidado integral. Quem acompanha pacientes com obesidade, diabetes e síndrome metabólica costuma focar pressão, glicemia, colesterol e peso corporal, o que é correto. Mas a saúde intestinal também precisa entrar nessa conversa.

O raciocínio é simples: se há uma população com risco aumentado e contato frequente com o sistema de saúde, existe uma oportunidade concreta de prevenir, suspeitar mais cedo e diagnosticar melhor.

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