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O Futuro do Diabetes

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Carlos Eduardo Barra Couri é endocrinologista, pesquisador da USP de Ribeirão Preto e criador do Endodebate e do Diacordis. Aqui ele mapeia os cuidados e os avanços para o controle do diabetes

Wegovy 7,2 mg é aprovado na Europa e pode levar à perda de 21% do peso

Nova versão do medicamento à base de semaglutida amplia resultados no controle da obesidade e reaquece debate sobre terapias mais eficazes

Por Carlos Eduardo Barra Couri 18 fev 2026, 10h41
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Cientistas estudam eficácia e segurança de altas doses de semaglutida no tratamento da obesidade (Munro/Getty Images)
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Wegovy 7,2 mg é aprovado na Europa e pode levar à perda de 21% do peso Priorizar nos meus resultados Google

A busca por tratamentos eficazes contra a obesidade acaba de ganhar um novo capítulo importante. A União Europeia aprovou uma dose mais alta do Wegovy, medicamento à base de semaglutida, que já era conhecido por ajudar na perda de peso.

A nova apresentação, de 7,2 mg aplicada via subcutânea uma vez por semana, mostrou resultados expressivos: redução média de cerca de 21% do peso corporal em estudos clínicos.

A decisão reacende o debate sobre o futuro do tratamento da obesidade e coloca o Wegovy em um patamar de eficácia semelhante ao de medicamentos mais recentes, como a tirzepatida, considerada até agora a “campeã” em perda de peso.

+Leia também: Dose tripla de Wegovy leva a perda de mais de 20% do peso corporal

O que muda com a nova dose do Wegovy?

Até então, a dose máxima aprovada do Wegovy era de 2,4 mg por semana. Agora, médicos europeus passam a contar com uma opção mais potente para pessoas que não atingiram a redução de peso esperada com a dose tradicional.

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Na prática, a nova dose permite uma intensificação do tratamento, sempre associada a alimentação equilibrada e atividade física — um ponto fundamental, frequentemente esquecido fora do consultório.

Resultados que chamam atenção

Os dados vêm de estudos clínicos robustos, com acompanhamento de cerca de um ano e meio. Entre os principais achados:

    • Perda média de 21% do peso corporal
    • Cerca de 1 em cada 3 pacientes perdeu 25% ou mais do peso
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    • A maior parte da perda ocorreu à custa de gordura corporal, com preservação da massa muscular
    • Os efeitos colaterais mais comuns foram náuseas, diarreia e vômitos, geralmente leves e transitórios e de frequencia semelhante à dose de 2,4 mg semanal
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Em termos simples: uma pessoa com 100 kg pode perder, em média, 20 a 25 kg, algo impensável com tratamentos clínicos tradicionais há poucos anos.

Wegovy x Mounjaro: quem emagrece mais?

Os números naturalmente levam à comparação com a tirzepatida (Mounjaro), medicamento mais recente que atua em dois hormônios intestinais – GLP-1 e GIP) e já mostrou perdas de peso semelhantes, também na casa dos 20%.

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É importante esclarecer: não existe ainda um estudo comparando diretamente a nova dose do Wegovy (7,2 mg) com a tirzepatida. Mas, olhando os resultados médios, os dois tratamentos passam a ocupar um patamar parecido de eficácia.

Isso não significa que sejam “iguais”. Cada medicamento tem características próprias, perfis de tolerabilidade diferentes e pode funcionar melhor para um paciente do que para outro — decisão que deve sempre ser tomada em consulta médica.

+Leia também: Mounjaro x Wegovy: estudo mostra qual é mais potente na perda de peso

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Obesidade: uma doença crônica, não falta de força de vontade

Essas novidades reforçam uma mudança importante na medicina: a obesidade deixou definitivamente de ser vista como falta de disciplina. Hoje, ela é reconhecida como uma doença crônica, multifatorial e complexa, que envolve genética, metabolismo, hormônios, ambiente e comportamento.

Medicamentos como o Wegovy atuam em áreas do cérebro responsáveis pela saciedade e pelo controle do apetite, ajudando o paciente a comer menos sem viver em constante sofrimento.

E no Brasil, quando chega?

Por enquanto, a nova dose de 7,2 mg foi aprovada na Europa e já está disponível no Reino Unido. Nos Estados Unidos, o pedido ainda está em análise. No Brasil, não há previsão oficial, já que a aprovação depende da Anvisa.

Enquanto isso, cresce a preocupação com o uso inadequado desses medicamentos, incluindo manipulações irregulares, importações ilegais e uso sem acompanhamento médico, práticas que trazem riscos reais à saúde.

Por fim, a mensagem é clara: estamos entrando em uma nova era no tratamento da obesidade. Medicamentos cada vez mais eficazes ampliam as opções terapêuticas, mas não substituem acompanhamento médico, mudança de estilo de vida e cuidado de longo prazo.

Mais do que emagrecer, o objetivo é reduzir riscos cardiovasculares, melhorar a qualidade de vida e tratar a obesidade com a seriedade que ela merece.

 

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