Oferta Relâmpago: Assine por apenas 7,99
Imagem Blog

Guenta, Coração

Por Blog Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Médicos, nutricionistas e outros profissionais da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) explicam as novas (e clássicas) medidas para resguardar o peito

Coronavírus pode causar um novo tipo de miocardite

Essa perigosa doença do coração foi observada em pacientes com Covid-19. Mas, nesses casos, ela traz características particulares

Por Félix José Alvarez Ramires, cardiologista* 23 set 2020, 14h12 | Atualizado em 4 jun 2026, 22h33
o que é miocardite sintomas
O coronavírus pode provocar quadros de miocardite. (Ilustração: Shutterstock/SAÚDE é Vital)
Continua após publicidade
Coronavírus pode causar um novo tipo de miocardite Priorizar nos meus resultados Google

Apesar de todas as dúvidas geradas pelo novo coronavírus, a comunidade médica tem uma certeza: estamos vendo um capítulo inédito da infectologia ser escrito a cada dia deste ano histórico. Os multissintomas e as consequências da Covid-19 farão com que médicos e cientistas demorem muito tempo para desvendar completamente a doença.

No perímetro da cardiologia não é diferente: o coração é um dos órgãos mais impactados pelo Sars-CoV-2. Já se sabe que pacientes com comorbidades cardíacas estão mais sujeitos às versões severas do novo coronavírus. Por outro lado, a Covid-19 parece favorecer síndromes coronárias agudas, arritmia, isquemia miocárdica, falência cardíaca e miocardites – que podem ser muito perigosas.

Entre essas condições, eu gostaria de me concentrar na miocardite. Essa é uma inflamação do músculo cardíaco, responsável pelo bombeamento de sangue para os órgãos. É uma doença bem conhecida entre os cardiologistas. Mas a ocorrência de miocardites nos quadros de Covid-19 tem preocupado os especialistas.

O fato é que as miocardites associadas ao novo coronavírus são significativamente diferentes em relação às causadas pelos demais vírus, de acordo com o que já é observado na literatura e também pela equipe do Laboratório da Unidade de Miocardiopatias do Instituto do Coração, em São Paulo. As originadas pela Covid-19 parecem agredir o coração de uma maneira diferente, embora não existam evidências muito claras.

Continua após a publicidade

A relevância da pauta fez o tema ser abordado na aula inaugural do Congresso Virtual da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo – SOCESP, ocorrido no final de junho. Durante a palestra, foi apresentado um recente estudo chinês, feito com base em 150 pacientes. Do grupo, 33% dos que morreram com comprometimento respiratório também apresentavam acometimento cardíaco, com lesão miocárdica ou insuficiência cardíaca documentada.

E mais: 7% das vítimas fatais tiveram lesão cardíaca isolada, evoluindo para choque cardiogênico. Ou seja, de acordo com o estudo, existem evidências de um mecanismo de agressão miocárdica primária ou secundária provocada pelo Sars-CoV-2.

Continua após a publicidade

O avanço dos estudos

As pesquisas sobre miorcadites derivadas da Covid-19 seguem em ritmo acelerado. O trabalho principal consiste em avaliar amostras do miocárdio — uma estrutura do coração — provenientes da necrópsia dos diagnosticados com o novo coronavírus. O objetivo é identificar os mecanismos de agressão que afetam o órgão de pacientes sem histórico de cardiopatia, mas que evoluíram para o estágio grave e, com enfraquecimento do coração, vieram a óbito.

O diagnóstico de miocardite provocada pela Covid-19 é feito pelos sinais e sintomas de insuficiência cardíaca; biomarcadores de lesão (substâncias liberadas no sangue quando há lesão cardíaca); alterações eletrocardiográficas e exames de imagem com avaliação funcional (o ecocardiograma). Mas a falta de materialidade para fechar o laudo e de tratamentos eficazes e seguros ainda exigem cautela por parte das equipes médicas.

Continua após a publicidade

Gripes, febre reumática, doença de Chagas e aids também provocam miocardite

A miocardite é geralmente derivada de uma infecção viral, porém também pode ser bacteriana. Quando a doença se agrava, é capaz de enfraquecer o coração, causando insuficiência cardíaca, frequência cardíaca anormal e até morte súbita. O tratamento irá incluir medicamentos para regular os batimentos e melhorar a função do coração. Em casos graves e menos comuns, um dispositivo é implantado para auxiliar no seu funcionamento.

Gripes, febre reumática, doença de Chagas e até aids tem potencial para provocar miocardites. Devido a falhas do sistema imunológico ou mesmo por uma afinidade do micro-organismo pelo tecido do coração, o agente infeccioso consegue vencer as barreiras orgânicas naturais e atingir o músculo cardíaco.

A miocardite pode se apresentar completamente assintomática ou acompanhada de febre, dor no peito e falta de ar. Da mesma forma, a sensação de fadiga, batedeira, inchaço de membros e a ocorrência de desmaios são indicativos de arritmias, bloqueios denominados atrioventriculares ou insuficiência cardíaca. Outros sintomas, como dores articulares, náuseas e vômitos, também sugerem um quadro infeccioso e devem ser avaliados precocemente por um médico. Nunca negligencie essas manifestações. Mesmo – e principalmente – em tempos de pandemia.

Continua após a publicidade

* Félix José Alvarez Ramires é cardiologista e coordenador do Laboratório da Unidade de Miocardiopatias do Instituto do Coração da Universidade de São Paulo. Foi um dos coordenadores científicos do Congresso Virtual da SOCESP.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Mulher branca de rabo de cavalo e top preto sorrindo enquanto corre ao lado de um homem negro de camiseta cinza, ambos em um dia ensolarado. O texto No Dia Nacional da Saúde, cuide do que importa aparece em destaque, com cuide do que importa em um fundo verde-água. O logo veja SAÚDE está no canto superior esquerdoMulher e homem sorrindo, correndo ao ar livre em um dia ensolarado. Ela veste top e calça preta, ele camiseta branca e cinza. Texto: No Dia Nacional da Saúde, cuide do que importa. Logotipo Veja Saúde
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

Sua saúde merece prioridade!
Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 67% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba Veja Saúde impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos.
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).