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Parar de fumar reduz em até 40% o risco de diabetes tipo 2

A conclusão está em um relatório de diferentes entidades respeitadas, como a OMS. E reforça a necessidade de diabéticos abandonarem o tabagismo

Por Jaqueline Scholz, cardiologista* 10 fev 2024, 11h59
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Mais um malefício para a lista do cigarro. (Foto: GI/Getty Images)
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Que o ato de fumar só traz desvantagens para a saúde, já é de conhecimento geral. Mas um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Federação Internacional de Diabetes e pela Universidade de Newcastle, do Reino Unido, vai além e atesta que o tabagismo impacta a capacidade de o organismo controlar os níveis de açúcar no sangue. Por isso, ao parar de fumar, o indivíduo diminuiria entre 30% e 40% o risco de diabetes, um dos principais fatores de doenças cardiovasculares. 

Fumar não causa diabetes, é verdade. Entretanto, o fumante com predisposição certamente desencadeará mais precocemente o quadro. 

A interrelação entre tabagismo e patologias do coração acontece porque a nicotina age no sistema cardiovascular causando danos, como a disfunção do endotélio (parede dos vasos sanguíneos). Ela também aumenta o colesterol ruim e diminui o bom, o que maximiza o risco de sofrer infarto.

Por si só, o diabetes já é uma doença que causa muitos danos à saúde. Caracterizada pela falta de insulina ou pela incapacidade deste hormônio exercer adequadamente sua função de metabolizar a glicose no sangue, ele pode provocar AVC, infarto, cegueira, insuficiência renal, dores neuropáticas e amputações. 

Aliás, o relatório da OMS endossa que o tabagismo retarda o processo de cicatrização de feridas em pacientes com diabetes, potencializando o risco de amputações.

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+Leia também: Os fatores que aumentam o risco de demência em quem tem diabetes

Pesquisa recente do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, aponta que 10,2% dos brasileiros têm diabetes. 

Mais de 90% deles sofrem com o tipo 2, geralmente derivado de um estilo de vida sem atividade física e com alimentação não saudável. Estudos também atestam que nos últimos anos se observa aumento de jovens com a síndrome.

Copo meio cheio

Ao excluir o tabaco, os riscos – tanto para diabetes como para demais doenças cardiovasculares –, são reduzidos de forma drástica. Portanto, a cessação do tabagismo não é uma opção, e sim uma prioridade, especialmente entre diabéticos e pré-diabéticos. Ou quando há outra condição de saúde associada, como a hipertensão.

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Outra questão comum é ligar o ato de parar de fumar com o ganho de peso, que realmente é um fator de risco para problemas cardiovasculares. E, sim, há muitos relatos sobre os pontos a mais na balança, possivelmente causados pela substituição do cigarro por guloseimas. 

Mas, entre os estudos sobre o tema, existe um trabalho australiano indicando que, mesmo quando isso ocorre, ainda assim o impacto positivo na saúde compensa. 

Por isso, apague o cigarro e respire aliviado. Onde há fumaça, há riscos sérios para sua saúde.

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*Jaqueline Scholz é especialista em tratamento do tabagismo e assessora científica da SOCESP – Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

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